Folhas de História

Maio 1, 2008

História de uma folha!

Arquivado como: Formação — gloriainacselsis @ 8:48 pm
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Era uma vez uma folha, que crescera muito. A parte intermediária era larga e forte, as cinco pontas eram firmes e afiladas. Surgira na primavera, como um pequeno broto num galho grande, perto do topo da uma árvore alta. A Folha estava cercada por centenas de outras folhas, iguais a ela. Ou pelo menos assim parecia.

Mas não demorou muito para que descobrisse que não havia duas folhas iguais, apesar de estarem na mesma árvore.  

Alfredo era a folha mais próxima. Mário era a folha à sua direita. Clara era a linda folha por cima. - Todos haviam crescido juntos. Aprenderam a dançar à brisa da primavera, esquentar indolentemente ao sol do verão, a se lavar na chuva fresca. Mas Daniel era seu melhor amigo.

Era a folha maior no galho e parecia que estava lá antes de qualquer outra. A Folha achava que Daniel era também o mais sábio. Foi Daniel quem lhe contou que eram parte de uma árvore.

Foi Daniel quem explicou que estavam crescendo num parque público.
Foi Daniel quem revelou que a árvore tinha raízes fortes, escondidas na terra lá embaixo. Foi Daniel quem falou dos passarinhos que vinham pousar no galho e cantar pela manhã. Foi Daniel quem contou sobre o sol, a lua, as estrelas e as estações. A primavera passou. E o verão também. Fred adorava ser uma folha. Amava o seu galho, os amigos, o seu lugar bem alto no céu, o vento que o sacudia, os raios do sol que o esquentavam, a lua que o cobria de sombras suaves.

O verão fora excepcionalmente ameno. Os dias quentes e compridos eram agradáveis, as noites suaves eram serenas e povoadas por sonhos. Muitas pessoas foram ao parque naquele verão. E sentavam sob as árvores. Daniel contou à Folha que proporcionar sombra era um dos propósitos das árvores.

- O que é um propósito? - perguntou a Folha.
- Uma razão para existir - respondeu Daniel.

- Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir. Proporcionar sombra aos velhinhos que procuram escapar do calor de suas casas é uma razão para existir.

A Folha tinha um encanto todo especial pelos velhinhos. Sentavam em silêncio na relva fresca, mal se mexiam. E quando conversavam eram aos sussurros, sobre os tempos passados. As crianças também eram divertidas, embora às vezes abrissem buracos na casa da árvore ou esculpissem seus nomes. Mesmo assim, era divertido observar as crianças. Mas o verão da Folha não demorou a passar. E chegou ao fim numa noite de outubro.

A Folha nunca sentira tanto frio. Todas as outras folhas estremeceram com o frio. Ficaram todas cobertas por uma camada fina de branco, que num instante se derreteu e deixou-as encharcadas de orvalho, faiscando ao sol. Mais uma vez, foi Daniel quem explicou que haviam experimentado a primeira geada, o sinal que era outono e que o inverno viria em breve.

Quase que imediatamente, toda a árvore, mais do que isso, todo o parque, se transformou num esplendor de cores. Quase não restava qualquer folha verde.
Alfredo se tornou um amarelo intenso. Mário adquiriu um laranja brilhante.
Clara virou um vermelho ardente. a e azul. Todos estavam lindos.

A Folha e seus amigos converteram a árvore num arco-íris.

- Por que ficamos com cores diferentes, se estamos na mesma árvore? - perguntou a Folha.
- Cada um de nós é diferente. Tivemos experiências diferentes. Recebemos o sol de maneira diferente.

 Projetamos a sombra de maneira diferente. Por que não teríamos cores diferentes?
Foi Daniel, como sempre, quem falou. E Daniel contou ainda que aquela estação maravilhosa se chamava outono. E um dia aconteceu uma coisa estranha.

A mesma brisa que, no passado, os fazia dançar começou a empurrar e puxar suas hastes, quase como se estivesse zangada. Isso fez com que algumas folhas fossem arrancadas de seus galhos e levadas pela brisa, reviradas pelo ar, antes de caírem suavemente ao solo. Todas as folhas ficaram assustadas.

- O que está acontecendo? - perguntaram umas às outras, aos sussurros.
- É isso que acontece no outono - explicou Daniel - É o momento em que as folhas mudam de casa. Algumas pessoas chamam isso de morrer.

- E todos nós vamos morrer?- perguntou Folha
- Vamos sim - respondeu Daniel - tudo morre. Grande ou pequeno, fraco ou forte, tudo morre. Primeiro cumprimos a nossa missão. Experimentamos o sol e a lua, o vento e a chuva. Aprendemos a dançar e a rir. E, depois morremos.

- Eu não vou morrer! - exclamou Folha, com determinação - Você vai, Daniel?
- Vou sim… Quando chegar meu momento.
- E quando será isso???
- Ninguém sabe com certeza. - respondeu Daniel

A Folha notou que as outras folhas continuavam a cair. E pensou: “Deve ser o momento delas”. Ela viu que algumas folhas reagiam ao vento, outras simplesmente se entregavam e caíam suavemente Não demorou muito para que a árvore estivesse quase despida.

- Tenho medo de morrer. - disse Folha a Daniel - Não sei o que tem lá embaixo.

- Todos temos medo do que não conhecemos.

Isso é natural. - disse Daniel para animá-la - Mas você não teve medo quando a primavera se transformou em verão. E também não teve medo quando o verão se transformou em outono. Eram mudanças naturais. Por que deveria estar com medo da estação da morte?

- A árvore também morre? - perguntou - Para onde vamos quando morrermos?
- Ninguém sabe com certeza… É o grande mistério.
- Voltaremos na primavera?
- Talvez não, mas a Vida voltará.

- Então qual é a razão para tudo isso? - insistiu a Folha - Por que viemos pra cá, se no fim teríamos de cair e morrer?  Daniel respondeu no seu jeito calmo de sempre:

- Pelo sol e pela lua. Pelos tempos felizes que passamos juntos. Pela sombra, pelos velhinhos, pelas crianças. Pelas cores do outono, pelas estações. Não é razão suficiente?

Ao final daquela tarde, na claridade dourada do crepúsculo, Daniel se foi. E caiu a flutuar. Parecia sorrir enquanto caía.

- Adeus por enquanto. disse ele à Folha.

E depois, Folha ficou sozinha, a única folha que restava no galho. A primeira neve caiu na manhã seguinte. Era macia, branca e suave. Mas era muito fria. Quase não houve sol naquele dia… E foi um dia muito curto. A Folha se descobriu a perder a cor, a ficar cada vez mais frágil. Havia sempre frio e a neve passava sobre ela. E quando amanheceu veio vento que arrancou a Folha de seu galho.

Não doeu. Ela sentiu que flutuava no ar, muito serena. E, enquanto caía, ela viu a árvore inteira pela primeira vez. Como era forte e firme! Teve a certeza de que a árvore viveria por muito tempo, compreendeu que fora parte de sua vida. E isso deixou-a orgulhosa. A Folha pousou num monte de neve. Estava macio, até mesmo aconchegante. Naquela nova posição, Folha estava mais confortável do que jamais se sentira.

Ela fechou os olhos e adormeceu. Não sabia que a primavera se seguiria ao inverno, que a neve se derreteria e viraria água. Não sabia que a folha que fora, seca e aparentemente inútil, se juntaria com a água e serviria para tornar a árvore mais forte. E, principalmente, não sabia que ali, na árvore e no solo, já havia planos para novas folhas de primavera.

As folhas todas, velhas e novas, são as Folhas de História ! Somos nós todos.

Fonte: http://tinyurl.com/5ztzqg

Um musicólogo goês

Maestro Lourdino Paulino Barreto nasceu em 11 de Fevereiro de 1938 em Galgibaga, concelho de Canácona, sul de Goa. Estudou na escola paroquial onde se estreiou na música com o auxílio do seu Mestre do Coro, Martinho Menino Rodrigues, de Varcá. Sentindo-se vocacionado ao sacerdócio, continuou a sua formação musical no Seminário de Saligão-Pilerne sob a direcção do Padre João Baptista do Casto Viegas, e em seguida no Seminário Patriarcal de Rachol, sob a batuta de Padre Camilo Xavier, e foi ordenado sacerdote em 21 de Abril de 1963. Galgibaga produziu assim um génio musical: Lourdino estudou no Instituto Pontifício de Música Sacra e no Conservatório Nacional em Roma. Formado em Canto Gregoriano, Piano e Composição, defendeu a tese, intitulada Aesthetic Indian Music As A Bridge Between Christian And Indian Religious Music—sob a direcção do Professor Giuseppe Cianfriglia, que o aconselhou a continuar com o curso de dois anos no Virtuoso. Mas o Padre Lourdino decidiu voltar para Goa para o seu ministério pastoral.

De regresso a Goa, ensinou Música Polifónica e Canto Gregoriano no Seminário de Saligão desde 1968, e por um ano no Seminário de Rachol (1981-1982). Desde 1977 até à sua morte precoce em 1997, exceptuando o ano lectivo de 1981-1982, foi Director da Secção da Música Ocidental de Kala Academy de Goa, sucessora da Academia de Música, fundada por um outro Maestro goês, António de Figueiredo. O pedido veio directamente de Shashikala Kakodkar, então Primeira Ministra de Goa e Presidente da Kala Academy, ao Bispo de Goa Raul Nicolau Gonsalves.

Deu vários concertos na música ocidental e oriental. Criou o “Goa Philarmonic Choir”(Coro Filarmónico de Goa) e deu recitais regularmente durante anos, juntamente com a “Goa Symphony Orchestra” (Orquestra Sinfónica de Goa), sob a sua batuta.

Arranjou alguns Ragas, e executou com várias orquestras em Roma, Lisboa, Londres, Baltimore, Boston, Buenos Aires. Ainda em Televisão, Star TV Network. Foii convidado a dar recitais de violino, piano ou orgão na Itália, Suíssa, Áustria, Inglaterra e nos Estados Unidos da América. O seu Coro interpretou música coral, ocidental, indiana e goesa, como também levou ao palco operetas, Broadway musicals e óperas como Il Trovatore de Verdi. O Coro foi convidado a participar em festivais internacionais em Roma e outras capitais do mundo. Além disso, levou o grupo a Bombaim, Pune, Bangalore, Trivandrum e Madrasta (Chennai). Levou ao palco Mikado, Wizard of Oz, Oliver Twist, Fiddler on the Roof, Sound of Music, My Fair lady e Orphaeus in the Underworld.

O Maestro Lourdino tinha planos de ir a Áustria para o Franz Schubert International Festival, quando a morte o colheu ainda novo em 24 de Janeiro de 1997 na idade de 58 anos. Contribuiu para a música folclórica goesa, com livrinhos Goenchem Git, como também para música religiosa. Deixou composições em Devachea Bhurgeanchim Gitam, uma colectânea de hinos religiosos. É interessante ouvir, por exemplo, Salve regina, Sam Fransisku Xaviera, Dogi tegi Beatini (Dulpod em Concani), Raghupati Raghava Rajaram, como também a Cantata Mhozo Otmo Sorvesvorak Vakhannta (o Magnificat em Concani). Esforçou-se como Membro da Comissão para a Formação Musical Ociedntal na Universidade de Goa para incluir música no currículo das escolas.

1º de Maio - Dia do Trabalhador desde 1886

Arquivado como: Formação — gloriainacselsis @ 10:43 am
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Mais de um milhão de trabalhadores estavam de braços cruzados nos Estados Unidos, principalmente em Chicago. O calendário marcava primeiro de maio de 1886. A greve visava pôr fim à nefasta exploração das fábricas que desgraçava o trabalhador com até 18 horas de trabalhos diários.

O que era uma manifestação pacífica tornou-se um massacre organizado. Órgãos repressores atacaram trabalhadores de todas as idades. Corpos defuntos iam caindo ao chão, porém nada parecia suficiente para restabelecer a ordem burguesa. A manifestação chegaria ao quarto dia do mês com conflitos entre trabalhadores e policia. Bombas explodiam e mortos eram feitos em ambos os lados. Enquanto isso, o mesquinho pensamento dos industriais só visava o retorno aos lucros.

Na prisão acabaram os principais líderes do movimento grevista, o qual em Chicago, nesta época, era majoritariamente de influência anarquista. Foram tratados com muito mais severidade que os gangsteres que circulavam pela cidade. Os trabalhadores conscientes eram, para os industriais, os verdadeiros bandidos, criminosos, facínoras.

Para os principais líderes da greve restou-lhes a forca. August Spies, antes de morrer pelas mãos do patronato, por buscar um mundo de justiça, declarou:

“Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!

Estava corretíssima sua afirmação. A chama dos trabalhadores não fora apagada ali. Em 1888 um congresso decidiu fazer nova greve em primeiro de maio de 1890 para que todas as zonas alcançassem o sonho mais próximo do operariado: “oito horas de trabalho, oito horas de lazer, oito horas de sono!”. A manifestação tomou dimensões internacionais. Outros países aderiram ao movimento grevista que lutava pelos seus direitos recordando os mártires de Chicago.

Com a grande repercussão das manifestações, o Segundo Congresso da Internacional, em Bruxelas, tornou o dia histórico para que todos os trabalhadores usassem-no para festejar suas conquistas, se mobilizar, se solidarizar na busca de seus objetivos. Assim a data se tornou a mais importante e o maior marco para os trabalhadores de todo o mundo.

http://tinyurl.com/4pqt6m

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