Folhas de História

Maio 5, 2008

Memória de África Digital

Arquivado como: Culturas Lusófonas, África — gloriainacselsis @ 9:32 pm
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Algumas das incorporações
 

Entidades encarregues do desenvolvimento
É um projecto promovido pela Fundação Portugal - África que, na sua 1ª fase, foi desenvolvido por um Consórcio formado por:

Actualmente continuam o projecto a Universidade de Aveiro e o CESA.

  • Colecção de Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique
    Colecção com 10 volumes de fotografias editado por José Santos Rufino e datado do fim dos anos 20 do século XX.
    Esta obra foi cedida para digitalização pela Caixa Geral de Depósitos - Gabinete de Imagem e Comunicação - Biblioteca Ultramarina do ex-Banco Nacional Ultramarino (BNU) e possui cerca de 1.500 páginas.
  • Colecção de Gravuras Portuguesas - Luanda, Angola e Moçambique
    Colecção de reproduções de gravuras portuguesas publicadas entre as décadas de 40 e 70 do século XX.
    Esta obra foi cedida para digitalização pela Caixa Geral de Depósitos - Gabinete de Imagem e Comunicação - Biblioteca Ultramarina do ex-Banco Nacional Ultramarino (BNU).
  • Boletim dos Serviços Económicos do Banco Nacional Ultramarino (BNU).
    Publicação efectuada entre os anos 40 e 70 do século passado e que possui um volume aproximado de 10.000 páginas. Esta publicação tem ainda hoje grande procura por investigadores pelos estudos e estatísticas nela contidos. A sua disponibilização de modo gratúito e em formato digital facilitará ainda mais o acesso à obra.
    Esta obra foi cedida para digitalização pela Caixa Geral de Depósitos - Gabinete de Imagem e Comunicação - Biblioteca Ultramarina do ex-Banco Nacional Ultramarino (BNU).
  • Plantas Medicinais da Guiné-Bissau
    Colecção com as plantas medicinais da República da Guiné-Bissau. Esta obra foi cedida à Memória Digital pela AD - Associação para o Desenvolvimento (Guiné-Bissau) e pela ACEP - Associação para a Cooperação entre os Povos (Portugal).
  • Colecção do Arquivo Histórico de S. Tomé
    Esta colecção pretende dar uma pequena mostra da riqueza do acervo existente no Arquivo Histórico de S. Tomé: documentos de arquivo de vários fundos documentais, fotografias - organizadas por diversas áreas de interesse e livros.
  • Colecção do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)
    Esta colecção, tal como o próprio nome indica, foi cedida à Memória Digital pelo LNEC e possui um conjunto de obras de interesse diverso no âmbito da engenharia civil: regulamentos de abastecimento de águas e drenagem nos PALOP, bacias hidrográficas de Angola e Moçambique, betumes asfálticos, prospecção geoeléctrica para pesquisa de águas, ensaios vários no Zambeze para simulação da barragem de Cabora-Bassa, etc. …
  • Espólio do Dr. Amadeu Castilho Soares - Livros Escolares
    Esta sub-colecção do Espólio do Dr. Amadeu Castilho Soares é composta por livros escolares utilizados no ensino primário rural em Angola na década de sessenta do Século XX. Foi cedida para digitalização pelo próprio.
  • História Geral de Cabo Verde
    A História Geral de Cabo Verde é uma obra de referência sobre a história deste país. Estão neste momento editados três volumes sendo o terceiro considerado uma obra rara. Estão disponíveis para consulta os três volumes do corpo principal, faltando os volumes do corpo documental.
  • Colecção João Vário
    Esta colecção tenta juntar as obras do poeta João Vário, um dos pseudónimos de João Manuel Varela que nasceu na cidade do Mindelo, ilha de S. Vicente, em Cabo Verde a 7 de Junho de 1937, local onde veio a falecer em Agosto de 2007.
  • Colecção do Museu do Dundo (Companhia de Diamantes de Angola / Diamang). Esta colecção iniciou a sua publicação em 1946.
    Criado em 1936 pela então denominada Diamang (Companhia de Diamantes de Angola), o Museu do Dundo foi a primeira instituição do género criada em Angola. Em 1942 adopta a designação de Museu Etnológico. (LNEC)
  • Boletim Cultural da Guiné Portuguesa
    O Centro de Estudos da Guiné Portuguesa publicou durante 28 anos, entre 1946 e 1973, 110 números do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa. É considerado pela generalidade dos investigadores como a melhor publicação científica de todas as ex-colónias portuguesas.
  • Boletim da Agência Geral das Colónias
    O “Boletim da Agência Geral das Colónias” era o órgão oficial da acção colonial portuguesa. Tinha como objectivo “fazer a propaganda do nosso património colonial, contribuindo por todos os meios para o seu engrandecimento, defesa, estudo das suas riquezas e demonstração das aptidões e capacidade colonizadora dos portugueses”.
    A sua publicação iniciou em 1925.

Carlos Sangreman

EUA - os principais responsáveis pela crise alimentar no mundo - diz FAO

Arquivado como: crise alimentar — gloriainacselsis @ 6:35 pm
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O presidente americano George W Bush e a sua secretária de estado Condoleezza Rice poderão ter trocado os dados quando apontaram a  China e a India como principais responsáveis pela crise gobal de alimentos resultante da sua crescente prosperidade e consumo.

Os dados em posse da FAO - A  organização de alimento e de agricultura de Nações Unidas indicam que os EUA consomem mais cereais do que a China e a India juntas. 

  • Atenção indianos! Não comam muito! Deixem os Americanos comer primeiro e poupar em petróleo!

Segundo um relatório global sobre alimentos emitido pela FAO, o consumo de cereais na Índia cresceu por  2.17 po cento, de 193.1 milhões de toneladas em 2006-07 para 197.3 milhões de toneladas em 2007-08, enquanto na China a subida foi de 1.8 por cento, ou seja, de 382.2 milhões de toneladas para 389.1 milhões de toneladas. 

Durante o mesmo período o consumo de cereais nos EUA, a maior economia do mundo, o consumo cresceu por 11.81 por cento, isto é, de 277.6 milhões de toneladas para 310.4 milhões de toneladas. A grande parte deste consumo não passou pela comida, mas para transformação em bio-energia mais económica. 

Com o preço de petróleo (crude) em $115 por barril, os EUA utilizaram 30 milhões de toneladas de milho para transformá-lo em bio-energia. Desta forma este tipo de utilização aumentou duas vezes e meio entre  2000 e 2006.

  • Comam menos para alimentar o mundo - Aconselha Rice a India e a China

“Quase 30 milhões de toneladas de milho foram utilizadas nos EUA no ano passado para produção de bio-fuel,” segundo Ashok Gulati, o director da International Food Policy Research Institute para a Ásia.

Há mais dados para provar que a responsabilidade pela crise global de alimentos não pode ser atribuída à India. Embora a Índia é habitada por um sexto da população global, só consumiu 9.37 % dos cereais em 2007-08, e 9.36 % no ano anterior. 

O consumo dos EUA, segundo o relatório da FAO subiu de 13.46 % em 2006-07 para 14.74 %. No caso da China, é de notar que o seu consumo baixou de 18.53 % para 18.48 %.

“Outros factores, tais como a seca em Australia, o desvio de milho para produção de bio-fuel nos EUA e a especulação nos mercados, são os maiores responsáveis da crise,” disse Gulati.

Fonte: http://tinyurl.com/4hyvgb

O Munchausen Português

 

Quem julga que uma possível estagnação mental portuguesa é um fenómeno recente, está muito enganado. Efectivamente, esta estagnação vem acompanhando este povo – pelo menos – desde a segunda metade do século XVI. Assim o afirmava António José Saraiva em 1961 (in O Português e o Universalismo). Contudo, muito antes disso, já o dizia Camões:

“Não Mais, Musa, não mais, que a lira tenho

Destemperada, e a voz enrouquecida,

E não do canto, mas de ver que venho

Cantar a gente surda e endurecida.

O favor com que mais se acende o engenho

Não no dá a pátria, não, que está metida

No gosto da cobiça e na rudeza

De uma austera, apagada e vil tristeza.”

(Os Lusíadas, canto X, 145).

Ainda a este respeito, Saraiva refere que o homem português é um náufrago que voga ao sabor de um sebastianismo que se revela pela ausência de iniciativas que contrariem o seu Pathos.

Para Saraiva, “Os Portugueses não podem ser um recanto escuro, uma falha na inteligibilidade do Universo” mas põe-se a questão de saber se serão tão explosivos como alega Keyserling (Keyserling apud António Quadros, O Homem Português, 1984):

“Na sua Análise Espectral da Europa, Hermann de Keyserling apontou como primeiro traço característico do português a sua explosividade, lembrando que todos os altos feitos e gestos portugueses foram verdadeiros fenómenos de explosão, navegadores lançados em volta do Planeta como balas de canhão.”

Ou seja, com alguma ironia e tecnologia adequada, poderíamos ter antecedido em mais de quatrocentos anos os programas espaciais tripulados soviético e norte-americano! Fantástico!

É curioso verificar que, desde a perspectiva de falta de persistência, de tristeza, de inveja, de vaidade susceptível, de intolerância e de espírito de imitação, a que se refere Teixeira de Pascoaes, até ao síndroma provinciano, reflectindo-se em cultura estrangeirada, mimetismo cultural, decadência do espírito criador, desnacionalização ou perda da consciência superior da nacionalidade, avançados por Fernando Pessoa, até à curiosa hipertrofia mítica, de Francisco da Cunha Leão, temos sido acariciados por todo o tipo de classificações mais ou menos simpáticas, sem que daí tenha resultado o mais leve despertar de um autêntico lusitano torpor.

Todavia, a mais deliciosa alegoria da portugalidade surge-nos sob a imagem de um polvo:

“O português é um castelhano sem ossos (…) O castelhano efectivamente, é todo em ossos, esquelético, Tem qualquer coisa de lagosta… O português, ao contrário, é como o polvo… Mas que a lagosta se acautele antes de lutar com o polvo… Pode sentir-se, de repente, nas trevas a gritar com aflição, desorientada: que me terá acontecido? Nada… foi o polvo que a enredou, que a escamoteou, que a perdeu…” (Miguel de Unamuno apud António Quadros, idem).

Obtemperando, surgem-nos explicados claramente os acontecimentos de São Mamede, Aljubarrota e Montes Claros. A tropa portuguesa - em formação tentacular - aproveitou-se de um deslize da lagosta espanhola (primeiro galega), para conquistar a independência.

Todas estas maravilhosas perspectivas que me colocam algures entre o surdo empedernido do nosso poeta maior e o molusco de um expoente filosófico espanhol (Basco, por sinal) transmitem-me uma certa sensação de mal-estar, que se agrava substancialmente quando confrontado com a necessidade de falar sobre o tão badalado Acordo Ortográfico.

Por um lado, tenho aqueles que pensam que “A decadência da linguagem e a sua perversão anunciam, com o declínio do homem, o declínio de uma civilização (…) A decadência de uma linguagem mão é tanto uma doença como um sintoma (…) A palavra ainda tem significado, mas sentido já não” (Bigotte Chorão, A Literatura Portuguesa, 1984;  & Ernst Junger apud Chorão, idem); no outro extremo, leio Mia Couto (Ciberdúvidas, 1997) que escreve “A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia (…) vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas”.

Ou seja, para quem não é linguista mas se serve desta em mais do que um contexto puramente comunicacional (leia-se informações e metadados), vejo-me na contingência de ter de defender, de atacar, ou pura e simplesmente de me abster sobre as formas futuras da minha língua materna.

Confrontado com a questão: serei o tal polvo, utilizando as técnicas de fuga e dissimulação deste inteligentíssimo animal para escapar à rigidez de uma opinião?

Pelo contrário, serei eu o projéctil balístico apontado a detractores ou a defensores da mudança, a todos crivando de bombásticas respostas acerca do que deveria tornar-se o futuro “Bom Português”? E porque não o “Bom Brasileiro” ou o “Bom Angolano”, etc.?

Confesso que não quero ser nem uma coisa nem outra. Não estou à altura de dizer se a Lusofonia é afinal um mero conector linguístico entre povos, gerado por uns, burilado por outros e apropriável por todos.

Prefiro sentir-me um Europeu lusotropicalizável  que não escapa à perspectiva incontornável de que as raízes  do seu logos estão associadas a um outro país que não vive estes dilemas linguísticos.  Um país, curiosamente, que deu origem a uma cultura universal, mas cuja língua – na sua totalidade - só é falada pelos seus habitantes: a Grécia.

Vivo imerso na tal cultura estrangeirada a que se refere Pessoa e ainda não consegui perceber se a língua portuguesa é uma manifestação de algo que está a um nível superior – um logos de origem lusitana, mas superiormente enriquecido por insumos universais.

Enquanto não encontro resposta, utilizando a boleia proporcionada pela alegoria da bala de canhão, prefiro saltar fora deste tema tornando  lusitano o aventuroso Barão de Munchausen que não sendo bala de canhão, desta se serviu para escapar ao cerco feito à sua cidade pela Sublime Porta Otomana, leia-se Acordo Ortográfico.

João de Bianchi Villar

 

Munchausen

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