Folhas de História

Maio 6, 2008

Acordo Ortográfico: A Terceira Via

 

Teorema de Lasswell

 

Referindo-se à questão do “Acordo Ortográfico” e à posição que tomei sobre a matéria, o Orlando teve a gentileza de alegar que “Com todo o respeito, não concordo com uma posição de neutralidade nesta matéria — ou melhor, quem se abstém, consente”. Permito-me discordar, pois abstenção não é a mesma coisa que não-participação, conforme a defesa que faço a seguir.

Indo, uma vez mais, buscar a influência que a Cultura Grega tem sobre a nossa forma de pensar e de agir, gostaria de recordar que a Paidéia não pretendia formar “heróis que combatiam o destino” (leia-se Fado), mas antes cidadãos que debatiam o saber estabelecido, tornando a cultura da “polis” num conceito vivo.

Em Portugal, parece haver especiais dificuldades no exercício desta Praxis. Como afirma Adriano Moreira, debate-se ainda qual o conceito estratégico do país no pós-colonialismo, o que não deixa certamente de ter ligações profundas com a difícil sedimentação de um conceito de Cultura Portuguesa.

Efectivamente, utilizando uma figura de estilo, afigura-se-me mais importante seleccionar que “tipo de carro” é que precisamos (Cultura), antes de escolher a “cor do carro” (Língua), propriamente dita. A Cultura Portuguesa está ex ante e o Acordo Ortográfico está ex post. Ou seja, na minha mais do que discutível opinião, não podemos colocar “a carroça à frente dos bois”; não podemos dirimir - ad quem- o que queremos fazer com a nossa Língua, sem antes nos ocuparmos - a quo -  com o que é a nossa cultura.

Em meu auxílio, ao falar de uma cultura Portuguesa, lembro-me de Agostinho da Silva e das suas sábias palavras “do lado dos portugueses não há empirismo de espécie alguma, como não há cepticismo; o português funciona como um feixe de convicções” (Agostinho da Silva, Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I, Âncora Editora. pp. 68-69).

Assim, se quisermos atribuir um substrato empírico a esta questão, não podemos deixar que certas convicções e pressupostos (existe uma só Língua) se sobreponham de forma indirecta (modus tollens) à avaliação dos resultados aferidos (existem várias formas de falar e de escrever). Aliás, será que o fenómeno cultural e o logos dos povos abrangidos pelo “Acordo Ortográfico” é um só?

Se não formos cépticos, se nos deixarmos levar “na onda” emocional de considerar que o cisne (a Língua) tem de ser preto ou branco, vamos entrar naquilo a que Popper designou por falseabilidade, ou seja, colocamos desde logo um enunciado que tem como predicado a cor dos cisnes (Língua Portuguesa), quando é provável que, no momento presente, já estejamos a falar de diversas espécies de aves (Língua Portuguesa, Língua Brasileira, Língua Angolana, Moçambicana, etc.).

Ao achar que primeiro devemos discutir Culturas e só depois as Línguas, estou a exprimir minha forma de participação na polémica do “Acordo Ortográfico”.

Não estou a abster-me de me pronunciar sobre a questão; estou a indicar apenas a minha convicção de que estamos a promover um debate em que as questões surgem pela ordem inversa que deveria existir.

Assim, participo activamente na minha Pólis com uma opinião concreta a montante do “Acordo Ortográfico” e que pretende lançar uma “terceira via” de diálogo. 

Deste modo, não é possível concordar, quando me é imputado o “quem cala, consente”. Propor outros caminhos de reflexão não é um consentimento tácito e acaba por ser a minha forma de responder à célebre Maldição de Platão: “O castigo por não participares na política, é acabar a ser governado por quem te é inferior”.

Se não o fizesse, estaria em contradição com a minha alma de português a qual, essa sim, felizmente tem muito pouco de científico: “é a fé que o move; e a experiência, que é naturalmente diferente de empirismo; apenas o confirma na sua fé; porque, se não confirmasse, o português de nenhum jeito reformaria o seu sistema de convicções: preferiria abandonar-se e morrer” (Agostinho da Silva: idem).

 

João de Bianchi Villar

Uma visão sobre o corpo

Arquivado como: Arte, Formação — mafaldaziegler @ 12:14 pm
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Hoje vive-se a revolução do corpo, valores relativos à beleza, saúde, higiene, lazer, alimentação, actividades físicas que têm reorientado um conjunto de comportamentos na sociedade, imprimindo um novo estilo de vida, mais livre, narcísico e hedonista do corpo.

 

Actualmente, o corpo ocidental encontra-se em plena metamorfose. Não se trata mais de aceitá-lo como ele é, mas sim de corrigi-lo, transformá-lo e reconstruí-lo. O indivíduo contemporâneo tenta encontrar no seu corpo uma verdade sobre si mesmo, assim, na falta de realizar-se na sua própria existência, este indivíduo procura hoje realizar-se, através do seu corpo. Ao muda-lo, ele procura transformar a sua relação com o mundo, multiplicando as suas personagens sociais.

 

Pode-se citar actualmente, como a apropriação exagerada do corpo, à difundida ideologia do body building, assim como a body modification, que utilizam técnicas que vão da tatuagem, passando pelos piercings e podendo chegar a outras, mais extremas, como marcas a ferro quente (brandings), etc.

 

A fantasia do corpo transformado em objecto de arte é um estereótipo de nossa idealização estética. As inscrições sobre a pele, a aparição do esqueleto, a visão do sangue e dos pêlos fazem do corpo a “matriz ideal da metáfora”.

 

Na Body Art é a interacção existente entre o espectador e o espectáculo, a recepção e a produção ao ponto de se dissolver qualquer sentido que distinga os dois, que se deve de dar mais ênfase.

 

A carne, terra, técnica e imagem tornam-se a hipersensibilização e os elementos primitivos dentro da cultura de hoje, ainda que o corpo se tenha tornado o centro da atenção pela insustentibilidade que o Homem sente por ele, também pela critica e desfragmentação do próprio corpo. Pode-se afirmar que em relação ao corpo existe sempre ambiguidade.

 

O corpo é fruto de uma construção social, das diferenças de género construídas socialmente ao longo da história. Nessa socialização insere-se a modelagem dos corpos pelas normas, representações culturais e simbólicas próprias de cada sociedade. Neste sentido, tem-se o corpo como o laço da interacção entre o indivíduo e o grupo, a natureza e a cultura, a coerção e a liberdade. O corpo apresenta-se como a interface entre a individualidade no que tem de mais singular, e o grupo, mas igualmente entre a biologia e o social.

 

Pode-se dizer que vai haver um retorno ao arcaico, onde sempre houve uma relação próxima com a terra e com a carne, ainda que no século XX, o Homem fique cada vez mais ligado à técnica e à tecnologia e vai depositar a sua felicidade na procura do progresso, sendo assim, os corpos precisam de trabalhar para concretizar essa verdade. Com a procura da produção, homens e mulheres, tentam adaptar-se como indivíduos ao grupo social, precisando, inúmeras vezes, desistir da sua liberdade de acção e de expressividade.

 

Juntamente com a industrialização, na metade do século XX, os meios de comunicação começaram a funcionar como propulsores da comunicação de massa. A reprodução do corpo não fica mais somente no âmbito da pintura, agora, ela, pode atingir um número elevado de indivíduos. O corpo pode ser reproduzido em série, através da fotografia, do cinema, da televisão, da internet, etc. Tudo isto vai fazer com que haja uma série de procedimentos que se irão centrar sobre a relação que o Homem tem com o orgânico e com a carne.

 

Apareceu, então, na arte, a Body Art/Performance ou Flesh Art e que irá levantar duas questões bastante pertinentes: a enegologia onde se faz a gestão dos corpos colectivos para centrar e reunir energias. Onde a energia humana e dos animais, neste último século, vai concorrer com a energia robótica e informática; depois temos todo o sistema clínico, onde se vai trabalhar directamente com a carne, até porque novas formas de pensar o corpo têm sido reinventadas constantemente, num processo que tem alterado significativamente a relação que os indivíduos têm com seu corpo. O corpo tornou-se objecto de consumo e totalmente fragmentado, o culto ao corpo ganha uma dimensão social inédita, cercado de enormes investimentos. O corpo em forma apresenta-se como um sucesso pessoal, ao qual homens e mulheres podem aspirar. Hoje vive-se na era da magreza, dos regimes, da lipoaspiração, dos implantes de próteses, do botox, dos ginásios, da construção de corpos, ou seja, da metamorfose dos corpos.

 

A Body Art surgiu exactamente contra esta noção de corpo que o Ocidente produziu. Vai contra a higienização do corpo, contra a estilização do mesmo e contra os corpos cosméticos. A Performance/Body Art vai desenvolver-se no prolongamento da expressão da arte e da desesteticização geral da arte, da crise do objecto da arte e da exorbitação da questão do corpo/carne.

 

A partir dos anos sessenta é o corpo que se torna o objecto principal e vai-o ser sobre dois aspectos: a apresentação e a representação. A Performance desde a sua origem segue duas vias separadas, a do espectáculo e a activista. Existindo ainda os Happenings, que são performances furtivas, que se apresenta uma vez e nunca mais. Eram essencialmente utilizadas por culturas, ditas, subversivas como por exemplo a África do Sul, no tempo do Apharteid, ou em países que estiveram dentro da Cortina de Ferro ou a China.

 

Temos como exemplo de artistas da Body Art/Performance a envolvência total de Carolee Schneeman, o conceptualismo de Morris, Marina Abramovic que utiliza as suas performances politicamente ou ainda, Ana Mundieta que faz uma integração do corpo na paisagem como que se os dois fossem o mesmo. A artista plástica francesa Orlan, pode ser citada como referência ao body modification, tendo desde 1990 se submetido a inúmeras cirurgias plásticas para fazer do seu corpo um lugar de debate público. Ela própria reconhece-se e se vê como objecto da sua arte. Sterlac é outro exemplo do que se poderá fazer em Performance/Body Art. Ele aborda questões como a insuficiência de noção de corpo como organismo onde a vontade de superação remete para o antigo desprezo teológico, em que para a teologia o corpo nascia logo obsoleto enquanto que para Sterlac deveio obsoleto. Trata-se do imaginário da técnica levado ao extremo, que despreza a inscrição do real dos corpos e, onde o corpo é uma película que tem de ser trabalhada e redesenhada. É híbrido.

 

O corpo pós-humano é causa e efeito das relações de poder e prazer, virtualidade e realidade.

 

Actualmente os indivíduos, com corpos mutáveis, renováveis, em constantes metamorfoses, têm na imagem do corpo o processo criativo principal de tantas releituras de si mesmo, a reprodutibilidade em série. Desta forma o corpo passou a ser “o mais belo objecto de consumo”.

 

Mafalda Ziegler Miranda

Alerta máximo aos chefes que não fazem falta!

Arquivado como: Formação — gloriainacselsis @ 7:21 am
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Em Nairobi, Quénia, depois de um criterioso processo de recrutamento com entrevistas, testes e dinâmicas de grupo, uma grande empresa multinacional contratou um grupo de canibais para fazerem parte da sua equipa.

‘Agora fazem parte de uma grande equipa’ - disse o Director de RH durante a cerimónia de boas vindas.

‘Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa. Por exemplo, podem ir à cantina da empresa quando quiserem para comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados, por favor!’

Quatro semanas mais tarde, o chefe chamou-os: ‘Vocês estão a trabalhar muito bem e  estou satisfeito. Mas desapareceu a mulher que serve o café. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?’

Todos os canibais negaram com a cabeça. Depois do chefe ir embora, o líder canibal pergunta-lhes: ‘Quem foi o idiota que comeu a mulher que servia o café?’ Um deles, timidamente, ergueu a mão.

O líder respondeu:
‘Mas tu és mesmo uma besta! Nós estamos aqui, com esta tremenda Oportunidade nas mãos. Já comemos 3 directores, 2 subdirectores, 5 assessores, 2 coordenadores, e uns 3 administradores, durante estas quatro semanas sem ninguém perceber nada. E poderíamos continuar ainda por um bom tempo. Mas não… Tu tinhas de estragar tudo e comer uma pessoa que faz falta!’

Pedro Ferreira de Carvalho 

 P.S.  Esta sigla não tem nada a ver com o meu partido!  O partido não está em crise. É o outro com mais uma letra na sigla! Estou  é desmotivado porque quase nada do meu humor consegue entrar neste blogue. Só vi a minha avaliação dos professores recebida com muito entusiasmo.  As Folhas de História completam hoje 2 meses, e da forma como cresce com  milhares de visitas parece um bebé apetecido! Queria por isso alertar o coordenador contra o perigo dos canibais! E certamente que vai levar o meu aviso a sério e publicá-lo no blogue!

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