Descobertos *portugueses* num tesouro subáquatico
Segundo as poucas notícias disponíveis, entre as quais uma fotografia de algumas moedas que fazem parte do espólio descoberto na passada semana ao largo da Namíbia, está a prova da nacionalidade dos proprietários do navio.
A moeda que mostram, embora seja o reverso, foi identificada e é indiscutivelmente uma moeda de Dom João III, cunhada a partir de Outubro de 1525.
Essa moeda de ouro chamava-se ‘português’ e era uma das mais prestigiantes moedas da época. A moeda mostrada são os 10 cruzados de ouro.
A descoberta foi divulgada em comunicado de imprensa na passada quarta-feira, mas ocorreu no passado dia 01 de Abril, no decorrer de uma expedição de geólogos, envolvidos na prospecção de diamantes, e que pertencem à empresa sul-africana De Beers.
Lynette Gould, do gabinete de imprensa da De Beers em Londres, disse à Agência Lusa que a empresa e o governo namibiano realizarão na próxima semana uma conferência de imprensa para fornecer mais pormenores sobre a descoberta.
Arqueólogos, em conjunto com o Conselho da Herança Nacional [da Namíbia], estão a efectuar um inventário do achado, e irão posteriormente contactar os governos de Portugal e Espanha”, acrescentou.
A Lusa contactou o Ministério da Cultura, tendo o porta-voz do gabinete do ministro José António Pinto Ribeiro, garantido que não foram ainda feitos nenhuns contactos.
Ainda não fomos contactados oficialmente, nem através do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). O que vamos fazer, em articulação com o MNE, mas tomando nós a iniciativa, e fazer todas as diligências junto da De Beers e do Governo namibiano para saber o que se passa e o que está em causa”, disse à Lusa.
Os achados subaquáticos estão protegidos pela Convenção da UNESCO sobre a Protecção do Património Cultural Subaquático, de 02 de Novembro de 2001, que Portugal, ao contrário da Namíbia, ratificou.