Lusofonia em Goa

Laxmanrao Sardesai’s http://en.wikipedia.org/wiki/Laxmanrao_Sardessai
Portuguese poetry
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Examples of his poetry in Portuguese may be found here:

- A Ave de Rapina
(1966)
– O Inferno (1966)
– Delhi (1966)
– Nas Mãos de Deus
(1966)
– Conflagração
(1966)
– Sou Quem Sou
(1966)
– Dia de Independência
– Bonança (1965)
– Um conflito
(1965)
– Alforreca (1965)
– O Teu Maior Inimigo
(1965)
– O Nosso Crime
(1965)
– Eu Quero (1965)
– Eu Idealizo
(1965)
– Os Meus Sonhos
(1965)
– Nossos Heróis
(1964)

Goa desde 1961

  

[Encontro comemorativo dos Batalhões de Caçadores "Da Índia" e "Vasco da Gama" (Índia Portuguesa, 1954/1957) na sede da Liga dos Combatentes no Ultramar, Forte do Bom Sucesso, Lisboa, em 18.10.2008. O encontro foi coordenado pelo Coronel António Pena, professor da Universidade Lusófona. O Tenente General Lopes Alves traçou o envolvimento dos 2 batalhões e outros destacamentos militares, e revelou que tinha sido decidido no dia 19 de Dezembro, já após o início da invasão das forças indianas enviar uma grupo de paradequistas (designados "artífices") para ajudar a resistir ao embate. Só que nem os ingleses, nem os aliados paquistaneses, deram o seu acordo para o trânsito do grupo utilizando  as suas bases aéreas. Uma das considerações muito repetidas nas intervenções dos participantes foi acerca do seu envolvimento em acções de bem-estar do povo local em Goa. O historiador goês e director do Curso da Licenciatura em História na Universidade Lusófona, Professor Teotonio R. de Souza, participou no encontro como conferencista  convidado para falar sobre a situação de Goa na Índia contemporânea desde 1961. Estava também presente entre os convidados o Comandante João O. Mendes, dirigente da Escola Prática de Infantaria, Mafra. Foi de lá que partiram os dois batalhões para a Índia Portuguesa.]

É natural que os portugueses, particularmente as gerações que viveram os tempos conturbados de descolonização (que se iniciou com a perda de Goa), sintam muitas saudades do antigo Estado da Índia, mas convém agora que haja interesse  correspondente em acompanhar a sério a evolução de eventos e o desenvolvimento político, económico e cultural de Goa. Para quem se interessa e luta hoje em Portugal pela Lusofonia e anseia por associar Goa (que foi e continuará  a ser um ícone histórico da expansão portuguesa no Oriente e d’ Os Lusíadas que Camões cantou) com os actuais movimentos da Lusofonia, é essencial que procurem compreender e apreciar os desafios enfrentados por Goa desde 1961 como desafios democráticos do povo goês a quem o colonialismo português negara os direitos políticos que agora gozam e o reconhecimento da dignidade da sua língua materna.  Enquanto se mantiver o desinteresse nesse sentido continuará também o isolamento de Goa no novo espaço lusófono em construção. Goa já tem a sua língua oficial e jamais poderá ser contada como PALOP (Países Asiáticos da Língua Oficial Portuguesa). Será necessário promover intercâmbio de figuras reconhecidas de literatura e artes e traduzir obras literárias da Índia (incluindo Goa) e de Portugal. O Brasil tem demonstrado essa capacidade ( que é mais mental / cultural do que financeira) e é uma das razões porque consegue estar presente com mais força ao nível global.

Após a integração na União Indiana foi atribuído a Goa, Damão e Diu o estatuto especial de Territórios da União, e isto implicava serem dotados pelo Governo central com 80 % das suas receitas orçamentais. Convém notar que Goa viveu a sua primeira experiência de democracia em 1962 com eleições verdadeiramente livres ao nível das juntas das freguesias e das autarquias. Em 1963 foi a vez de eleger por sufrágio universal e com partidos políticos em acção os  40 deputados  para a primeira Assembleia do Estado. Foi este processo político que neutralizou perante a comunidade internacional as acusações de Portugal e de poucos simpatizantes goeses do regime colonial português. Infelizmente estes últimos não optaram pela participação no processo democrático, e o regime ditatorial em Portugal não tinha na altura legitimidade para dar lições de democracia à Índia.  

Em 1986 Goa decidiu separar-se de Damão e Diu e ser reconhecido como um estado da União com plenos direitos. Isto tornou-se possível após uma renhida luta pelo reconhecimeto do Concani, língua falada por quase 95% dos seus habitantes. Com os apoios financeiros do governo foi possivel garantir o desenvolvimento da língua Concani com vários projectos culturais a todos os níveis, e em 1986 foi declarada a língua oficial de Goa na Assembleia do Governo local. Em 1992 foi reconhecida também pela Sahitya Akademi (Academia Nacional das Línguas e Literaturas Indianas) como língua literária e foi acrescentada à lista das outras 17 línguas oficiais da Índia na Constituição da República. A partir de então Damão e Diu continuam com o antigo estatuto, e correm o risco de serem integrados no estado vizinho de Gujerat. 

Goa tem a sua Universidade própria desde 1986 e está a trabalhar para fazer a sua marca como sociedade de Conhecimento. Exportação de minério e turismo constituem ao presente as fontes principais da sua economia.

Para mais informações sobre este processo disponibilizamos aqui um texto do Dr. Alban Couto, que se reformou após serviço de grande mérito nos quadros da administração indiana. Foi escolhido logo após a ocupação de Goa para ser conselheiro do governo militar de Goa. Acompanhou o processo da integração de Goa na União Indiana providenciando muito apoio moral à população católica de Goa, mas sem fazer qualquer diferença ou discriminação para com a componente hindu da população.

P.S. Queremos aqui acrescentar uma nota de simpatia pelos Batalhóes de Caçadores que se reuniram hoje e manifestaram a sua dissatisfação (corroborada no discurso de encerramento do evento pelo Presidente da Liga dos Combatentes, General Chito Rodrigues) contra a posição adoptada pelo governo (e confirmada na legislação aprovada ontem na Assembleia da República) de não incluir na definição de combatentes    com direito à compensação os batalhões que estiveram na Índia antes da ocupação indiana e que não foram prisioneiros da guerra. Certamente não estiveram na Índia a fazer turismo. O risco era grande perante a guerrilha Azad Gomantak Dal  que o General Carlos de Azeredo não hesitou em descrever nas suas memórias publicadas em seguintes termos: “Ao contrário do que se diz, a guerrilha mais evoluída que o nosso Exército enfrentou foi a de Goa. Sei do que falo, porque também fiz a guerra em Angola e na Guiné. Só no ano de 1961, até Dezembro morreram cerca de 80 polícias”. Da minha parte, vejo uma outra razão para queixa: Porque não se inscreveram os nomes dos goeses que morreram combatendo pelos interesses da nação portuguesa? Os naturais de Goa eram menos cidadãos que os portugueses da metrópole? Deve ser o governo da Índia a reconhecer-lhes o sacrifício da vida? É um esquecimento que merece ser reconhecido e sanado pelo governo português.

Trilhos e sarilhos


 

Meninos sem rumo, filhos da inércia e da ilusão.

Hoje encontrei-os, pedindo esmola, junto à estação.

São tão esquivos estes meninos ao fugir do meu olhar!

Os seus olhos estão magoados de tanto chorar.

Quem não gostaria de os poder ajudar!…

 

Dúbias palavras saem das suas bocas desajeitadas;

Nos rostos pequenos exibem cicatrizes mal curadas.

Têm fome… procuram comida em qualquer lugar,

expondo os corpos franzinos, submetem-se a pagar.

Juntam a noite com o dia, não perdem tempo a sonhar.

 

Inventam histórias em troca de vagas promessas,

perdem os passos pelas avenidas, ruas e travessas.

Encontram um amigo em qualquer esquina,

simulam juras, implorando a ajuda divina.

Desconhecem as leis do país que os domina.

 

Com os pés descalços afagam as pedras da calçada;

Cansados, adormecem, sem a carícia desejada.

Não vão à escola, ignoram o pai, a mãe, o irmão…

Indiferentes ao sucesso aceitam a condição.

Num conceito social surge a regra de exclusão.

Nazaré Cunha

(16-08-2008)

Comprometimento com o futuro cultural de Portugal

 

Cumpre-se no próximo dia 14 de Agosto a comemoração – infelizmente envergonhada e algo desenquadrada das vivências do País real! – do aniversário da Batalha de Aljubarrota, uma das páginas mais significativas e gloriosas da nossa História.
No campo mais pessoal, naquele que é se calhar o nosso mais íntimo “jardim secreto”, partilharei em Família, a mesma data, ainda que com uma outra justificação – que toca sensitivamente os nossos afectos e emoções – celebrando o meu 50º Aniversário natalício. Sem festas ou grandes gastos, que os tempos assim o não aconselham!
Contudo, ante a amálgama informativa, alarmista e cinzenta com que se pinta o nosso futuro a curto e médio prazo, entendi que, corrido já mais de meio caminho do que será o meu percurso de vida; atingida a plenitude e a satisfação de um marido, pai e avô que se cumpriu com o tempo e as vicissitudes desse mesmo tempo; não precisando de dar mais justificação da minha plena consciência do dever cumprido em termos profissionais; tendo ainda muito por fazer em termos da meu contributo cívico e da minha dádiva de solidariedade para com a sociedade que me coube em sorte viver; é tempo de dar atenção a mim mesmo! Sem falsas modéstias, sem arrivismos ou egoísmos estéreis… eis – me, num tempo e num estádio, ou melhor, numa maneira de estar e de ser, em que sonhar e vibrar com os pequenos prazeres da vida, como brincar com os netos, ou conseguir o ex – líbris heráldico esgotado que persegui durante décadas, são a recompensa maior para esforços, sacrifícios e o muito “amor à camisola” da sobrevivência, muitas vezes castradora, em que não quero continuar a colaborar por desencanto ou baixar os braços!
Revejo, por entre as memórias e experiência acumuladas, por entre as saudades colectivas e culturais do nosso desígnio comum, que o fulgor da ‘Ala dos Namoradas’ e a exemplaridade de Aljubarrota, tem que ter continuadores neste início, algo frustrante e anárquico, do século XXI em Portugal. Se me faltam as forças para desfraldar a bandeira do optimismo militante e encabeçar uma motim, um movimento de renovamento, fé e esperança nas nossas próprias qualidades como Pátria… Dou-me a mim próprio o benefício de acreditar que com trabalho, esforço, dedicação e empenhamento e estudo poderei optar pela gratificante e mágica condição de aluno cinquentenário, ainda comprometido, com o seu futuro de maior conhecimento, maiores aptidões, melhor preparação e ainda mais comprometido com um Futuro de maior e melhor qualidade cultural para o meu País!
São já Saudades do Futuro, como diria o poeta, mas são as ilusões, os sonhos e as convicções que encontro para justificar, de mim para mim, a necessidade que senti e aqui partilho de me inscrever no Curso de História (Universidade Lusófona, Lisboa). Pelo orgulho em Portugal, pelo apelo sempre sentido e respeitador desse mágico mundo da Lusofonia, pela veneração pela instituição académica e Universitária. Por mim, próprio e pelo nome que herdei dos meus Maiores!
 
Vítor ESCUDERO