A corda do relógio cósmico…

O escritor britânico Arthur C. Clarke morreu hoje aos 90 anos, em Colombo, no Sri Lanka. Clarke foi o autor da famosa série de novelas de ficção científica «Odisseia no Espaço». Depois de «2001: Odisseia no Espaço», o último livro dessa série recebeu o título de «3001: A Odisseia Final».  O interesse de Clarke pela exploração espacial parece ser revelador de um certo desconforto e inquietação que nos atinge a todos, quando confrontados com um perturbador silêncio cósmico. Estaremos sozinhos?  Há uma canção dos Pink Floyd que retrata bem este sentido de abandono de que o homem sofre. A letra da canção não é muito extensa mas é muito intensa e resume-se à repetição, até à exaustão, de um único verso: «Is there anybody out there?» ou «está alguém aí fora?». Esta canção é como um grito de desespero enviado para o espaço, na esperança de que Alguém, lá longe, o ouça e responda.  A tentativa de encontrar outras formas de vida no Universo tem sido objecto de muita pesquisa científica e de muita ficção. O que cientistas e novelistas procuram é algum sinal de que não estamos para aqui esquecidos, entregues à nossa vulnerabilidade.  O deísmo do século XVII interpretava o mundo como um imenso relógio criado por um Deus que se retirou e o deixou a trabalhar sozinho. No fundo, no fundo, o nosso medo é que, um dia desses, acabe a corda a este imenso relógio cósmico… 

Luís Melancia

Docente na Lic. em Ciência das Religiões da ULHT

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