A Língua portuguesa em Goa

 

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Resumo de : Rosa Rio
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Publicado em: dezembro 09, 2006
Teotonio R. de Souza, “A língua portuguesa em Goa: As dificuldades da sua implantação”, in Língua e Cultura — Actas do Congresso «A Lusofonia a Haver».Comemoração do 50º aniversário da Sociedade da Língua Portuguesa, Lisboa, 2000, pp. 64-78.
Pensar que não se cultivou a língua portuguesa em Goa, e de uma maneira digna de nota, seria mais uma manifestação de muita ignorância que reina neste país. Para reduzir este nível de desconhecimento, eu gostaria de remeter os leitores destas Folhas para a obra do Pe. Filinto Cristo Dias (Frei Cristo por pseudónimo) Esboço da História da Literatura Indo-Portuguesa (Bastorá, Goa, 1963). Mas quem tiver interesse e coragem para ler tomos mais desenvolvidos, poderá consultar com proveito os dois volumes coordenados por Vimala Devi e Manuel de Seabra, Literatura Indo-Portuguesa (Lisboa, Junta da Investigação do Ultramar, 1971), ou ainda a obra mais recente de Aleixo Manuel da Costa, Dicionário de Literatura Goesa, 3 vols. (Macau, ICM & Fundação Oriente, 1998). Nesta última obra do ex-director da Biblioteca Central de Goa estão listados os escritores goeses a partir de 1702 até 1961, e não se limita aos goeses que escreveram somente em português.
É importante destacar que os goeses cultivaram a língua portuguesa e a língua inglesa, e não só. E isto não sendo lusófilos ou anglófilos. Se não me engano, os lusófonos tendem a identificar lusofonia com a lusofilia. Não acho mal que sintam assim, mas penso que foi por isso que o projecto de lusofonia falhou no passado, e deve ser re-orientado para ter mais sucesso no futuro.
Explico isto melhor no caso de Goa. O grande mal de lusofonia foi a subalternização da cultura tradicional goesa. Ao contrário do muito que se pretende, foi notável a incapacidade dos portugueses para um  diálogo cultural. Os discursos de mestiçagem ou misoginia eram de ordem biológica e necessidades físicas dos homens que não levavam suas mulheres para a Índia. E nos tempos mais recentes, a propensão dos portugueses para fornicar com as mulheres casadas, viúvas e bailadeiras hindus ficou em muitos registos documentais e nos arquivos, e  também no folclore goês. Verteram mais esperma do que sangue. Não tinha nada a ver com diálogos culturais. No primeiro século da colonização os missionários mostraram grande interesse na aprendizagem das línguas vernáculas por necessidade de «penetração» cultural para «subversão» cultural! Mas nos meados do século XVII, quando o domínio colonial já estava estabilizado, declarou-se uma guerra à língua dos goeses. Mesmo isto seria tolerado, se a grande parte dos goeses pudesse ganhar a sua vida com a lusofonia e se não tivessem que ir buscar empregos na Índia britânica.Existe tendência desde 25 de Abril de atribuir todos os males do passado ao Estado Novo. Prefiro discordar com este tipo de leituras apressadas. O descontentamento que se reflecte no imaginário popular e no folclore goês é resultado de um processo muito mais profundo e distante, e representa uma sedimentação de reacções de muitas gerações e de muitos séculos. Não podemos fazer de Salazar um bode expiatório de todos os males lusófonos! Se os goeses cultivaram a lusofonia, foi na maioria dos casos por necessidade ou conveniência. Sentiam-se discriminados perante os brancos que utilizavam a língua e a cor da pele para ultrapassar a sua falta de mérito e outras competências intelectuais. A lusofonia para a grande parte dos goeses em Goa foi uma experiência de abuso colonial. O mérito dos goeses não podia continuar a ser medido e julgado pelo seu conhecimento ou domínio da língua portuguesa.
A afirmação do Concani como a língua oficial de Goa hoje é vista como um sinal de «libertação» e recuperação da identidade e dignidade cultural do povo goês.

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