A Lusofonia vista da Índia

 

Eduardo Faleiro

 Ministro / Comissário para os Assuntos dos Indianos não-residentes,

 Governo de Goa

 

Goa esteve ligada a Portugal durante 450 anos e esta longa associação deixou as suas marcas nesta região da Índia. Temos em Goa actualmente várias instituições do Estado e privadas que oferecem cursos de língua e cultura portuguesas. A Universidade de Goa tem o Departamento de Português, onde se leccionam cursos de língua até ao nível superior de licenciatura, mestrado e doutoramento, em colaboração com o Instituto Camões.  A Universidade também mantém uma cátedra de estudos latino-americanos e estudos brasileiros. A Universidade também tem uma colaboração activa com as universidades portuguesas de Aveiro, Porto, e com o Instituto do Oriente. Há interesse em intensificar esse tipo de colaboração com o Instituto Camões e mais Universidades de Portugal, Brasil, Moçambique e Macau. A Fundação Oriente promove estudo de lingua portuguesa em Goa e outras partes da Índia. O Xavier Centre of Historical Research tem sido o pioneiro de ensino da língua portuguesa em Goa. Possui uma rica biblioteca e um excelente museu de arte indo-portuguesa. A  Associação de Amizade Indo-Portuguesa e várias outras associações privadas fazem o seu papel pelo desenvolvimento do intercâmbio cultural entre a Índia  e Portugal.

Se Goa, Damão e Diu são um elo principal de Lusofonia na Índia, não são os únicos. A Universidade Jawaharlal Nehru em Nova Deli, a Universidade de Jadavpur em Kolkata e a Universidade de Pondicherry são outros centros académicos importantes onde se cultiva a língua e a cultura portuguesas. As empresas indianas globalizadas também mantém recursos humanos qualificados para poderem lidar com os países de língua portuguesa.    

O Presidente da República portuguesa, o Prof. Doutor Cavaco e Silva visitou a Índia há pouco mais de um ano.  Durante a sua visita e contactos com as autoridades indianas houve interesse em promover ligações económicas, mas não foi descurado o interesse pelo intercâmbio cultural. Foi elaborado um programa de intercâmbio cultural e educativo para os anos  2007-2009 e foram assinados protocolos para este efeito entre a Universidade de  Deli e o  Instituto Camões, entre a Universidade Jawaharlal Nehru e o Instituto de Ciências Sociais do Instituto Técnico de Lisboa. Estamos à espera que os governos dos dois países tomem as medidas concretas para a implementação desses acordos e outros anteriores.  Está a ser considerada a instalação de uma cátedra  da Língua  Hindi e da Cultura da Índia Contemporânea, a ser financiada pelo Governo da Índia no Instituto dos Estudos Orientais em Lisboa.  Seria no entanto importante promover traduções da literature portuguesa em Hindi e outras línguas da Índia. As obras de Fernando Pessoa e de José Saramago poderiam ser as primeiras. Já tem havido intercâmbio cultural em termos de arte, música, dança, etc. entre India e a África oriental, incluindo Moçambique. Era preciso reforçar estas actividades. .

Durante a sua visita, o Presidente Cavaco e Silva afirmou que  “a globalização é uma expressão económica dos nossos tempos, mas é também uma expressão cultural,  social e política, que faz de nós cidadãos activos de uma comunidade cada vez mais alargada e onde as fronteiras geográficas não oferecem protecção nem se tornam barreiras.”.  Deveria haver diálogo organizado de dois a dois anos, alternando os encontros na Índia e em Portugal e outros países da CPLP, com o fim de explorar novas formas de acções em prol da Paz e do Desenvolvimento.

Quando esteve em Goa, o Presidente Cavaco e Silva declarou que não somos reféns da História, e que devíamos converter o legado histórico comum num instrumento de promoçaõ de novas relações entre a Índia e Portugal. A Lusofonia une os países de língua oficial portuguesa, mas o espaço lusófono é mais abrangente e nele se podem incluir vários outros países da Ásia e da África, com fortes ligações culturais com a Índia, procurando criar a possibilidade de eles se associarem com os projectos da CPLP como participantes-observadores, uma plataforma para  promover maior interacção e colaboração no espaço lusófono. 

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