Achegas para um Vocabulário Comum

Pedro Araújo *

———————

PERNAMBUCÃO

  

Alemão deverá vir de Alamano, um dos povos germanos que apareceu na Europa durante e depois da queda do Império Romano. Não preciso de dizer em que século foi isto, pois não? É que eu já sou tão básico e óbvio nos meus textos, que convém fingir ser subtil, de quando em vez.

Então, os alemães, antigos alamanos, falam alemão, não é?

Se houvesse uma língua pernambucana, ela poderia designar-se pernambucão.

-Então, quantas línguas falas?-perguntaria um carioca com dengue (o dicionário do Windows não reconhece esta palavra, Sr. Microsoft!)  a um pernambucano.

-Só huã, o pernambucão

-Tu nem fala inglês, português, nada, broda?

-Oooochhh, cabra, falo nada!

…(pausa)…

-Ó pernambucano, conta aí até até dez na tua língua-desafia o carioca com dengue, piscando o olho pró amigo do lado.

-Oooochhh, tá tirando onda?…(pausa)…Um, num é? Doi, trei, quato, cinco, sei, seti, oitcho, novi, dei, onzi, dozi, trezi, catorzi, quinzi, diziçei, dizisete, dezotcho…

(e a tormenta continua por aí fora…só dizem bem o um e o cinco…o resto é o que se vê)

-Tá jóia, mano-diz o carioca com dengue, a rir às gargalhadas…

 

O pernambucano de baixa condição não fala bem português, fala pernambucão.

Além disso entendem mal o português de Portugal. Quantas e quantas vezes preciso de tradutor para transmitir uma mensagem oral a um pernambucano de baixa condição.

Não há condição!

  

Mas isto não é só coisa ruim. Isto tem coisas maravilhosas…algumas praias, muita gaja como o helicóptero (gira e boa, não é?), e muitas outras coisas…sei lá, não estou assim de repente a visualizar…há, sim, tem muitas igrejas de muitas confissões diferentes, como por exemplo:

(fooogo!… não encontro as folhas das páginas amarelas pernambucanas que guardava há dias no bolso, que tinha umas boas dezenas de igrejas…)

 

STAN É BOIOLA

 

Espera, isto não interessa. Estou a ouvir “Camouflage”, do Stan Ridgeway, dos anos 80…”oooohhhh, ooooohhhhh, oooooohhhhhh, ooooohhhhhh Camouflage! Things are never quite the way they seem”.

Eu acho que o gajo é rabicho, o Stan (que me perdoe, pela rudeza do termo, a comunidade gay para a qual envio estes textos, cerca de 90% dos meus “leitores”…ihihihihih). Então não é que o gajo, o Stan, está, todo contente, a falar dum marine alto e forte, que lhe salvou a vida, na guerra do Vietnã? Isso não existe, Stan. Um homem que anda no Vietnã, Irã ou Afeganistã (coisa ridícula) tem que saber lidar com as situações: não é encravares a arma, perderes-te no mato e aparecer um marine com mãos grandes a salvar-te, Stan. Vê o Rambo I, o II, o III, o IV ou o V, Stan. Tu envergonhas, com essas mariquices, o espírito do 4 de Julho (aniversário do meu Grande Guilherme).

 

 

ANDAM A DIZER…

 

…que “quando leio os teus textos parece que estás com uma grande ganza” (o Fernando Pessoa dava no ópio e no tinto -segundo as últimas investigações era Sovigal de pacote, o que o Nando bebia, daí terem encontrado, na autópsia, as vísceras maltratadas, além de vestígios de tetra pak).

Pois eu explico, esse aparente estado aluado: é que eu durmo pouco há muito tempo, além de já ter sofrido umas quantas anestesias gerais. Creio que são as duas razões que justificam tanta aparente…sei lá…insanidade? O que lhe queiram chamar.

De qualquer modo, e isto é muito sério, um homem da ciência disse-me há bem pouco tempo uma coisa da qual eu suspeitava: a anestesia geral afecta parte(s) do cérebro. Pois eu fiz uma com 14 anos. Umas 3 ou 4 com 27.

Somem-lhe o azar na vida, a falta de oportunidades, o azeite Galo que acabou e vejam se não se justifica a aparente moca. Antes isso que Sovigal de pacote.

 

 “QUERO A CAMISOLA DO ROBINHO, PAI”

 

Telefonei ao meu Afonso….Curioso. Da terra do Lula liguei para a do Franco. Curioso só pra quem não tem em que pensar…

Bem, seja como for, liguei pró Afonso e perguntei-lhe que camisola da selecção brasileira queria, se a do Kaká, do Alexandre Pato, a que ele quisesse. Até compreenderia se quisesse a do Ronaldinho, porque o gajo faz umas coisas com a bola, tem dentes pra fora, é um atracção, uma estrela, mas ele disse que queria a do Robinho…

-Tens a certeza, pá? A do Robinho? Mas tu não és preto…

-Ahahahaha! Pois não pai-respondeu o meu Afonso.

Que haveria o puto de responder ao pai parvo?

Se encontrar uma do Cristiano Ronaldo levo-lha, em vez da do Robinho…

Era giro também levar-lhe uma camisola oficial da selecção brasileira com os nomes do Deco ou do Pepe escritos. Era diferente…

Afonso, meu amor, espero que daqui a uns tempos não me venhas com frases tipo “I have a dream”. Eu levo a do Robinho, mas prometes que não vens com essas coisas, daqui a uns anos? Hummm?

 

——————-

* Pedro Araújo é  licenciado em História na Universidade Lusófona (ULHT, Lisboa, 1999-2003), e fez história como o primeiro candidato inscrito no então recém-criado Curso de História.  Colaborou na ULP, e tem um Mestrado de longa duração em curso!  É o Pero Vaz, co-fundador do blogue  APostar na Históriamas apostou neste momento em compreender o achamento do Brasil, e com  uma metodologia inovadora (uma versão actualizada da dos primeiros Descobridores) que nos irá explicando nos próximos tempos.

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s