Cumprir Abril

Hoje o dia amanheceu cinzento. Nem parecia Abril.

A chuva tempestuosa marcou o ritmo invernoso da noite, e o vento em fúria varria as ruas onde nem os gatos se (mo)viam.

São estas horas insonantes, acordadas, que nos pôem (in)voluntariamente a pensar, noites onde as memórias se vêm sentar na cama, e quando se dá conta, já não nos deixam adormecer. Insistem na fala, sacodem-nos, agitam-nos…

E ali ficamos, revendo caminhos, somando desvios, diminuindo alternativas…E se não tivéssemos ido por ali? E se não tivéssemos virado a cara? Atravessado a rua? Fechado a porta? Perdido o mapa? Rasgado a carta? Esquecido  o nome?

E em vez disso, invertêssemos os sentidos, e tivéssemos comido juntos? Ido ver o Mundo? Sorvido os aromas? Dado um abraço? Construído a ponte? Cantado a mesma canção?

De mansinho, uma nesga de luz atravessou o nevoeiro…e se nós fôssemos celebrar com pingos de chuva?

E se estendêssemos a mão e tocássemos no sol?

Talvez se cumprisse Abril.

(Nota: esta é uma pequena história, mas podia ser uma grande HISTÓRIA).

                                                                           MARIA ADELINA AMORIM

 

                             

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