Globalizar o esquecimento ou guardar a memória?

Ontem, pelas 11.00h da manhã, teve lugar em Lisboa uma cerimónia muito interessante. Como Rui Tavares hoje escreve no Público, a inauguração do monumento em memória dos judeus massacrados em 1506 não reescreve a História, mas faz de nós melhores cidadãos. Recordar não é tornar a viver é, nas palavras de António Costa, no seu discurso na Pç. de São Domingos, tornar a trazer ao mundo aqueles que nos esforçámos por esquecer.

Sim, porque esquecer é do mais confortável que há. E a História está prenhe de vontades de esquecimento. Na medida em que sempre há uma História Oficial, sempre ligada a uma versão das coisas, uma versão nacionalista ou higienizada, soft, podemos mesmo falar de um Esquecimento Global.

E, então, para que serve a memória? Para, seguindo o neurocirurgião António Damásio, construir formas de resposta automáticas do cérebro a problemas que não queremos resolver?

Lembro-me de um artigo de Teotónio R. de Souza (director da lic. em História na Un. Lusófona), há uns anos, sobre o “Direito à Memória”. E a Memória, será que tem direito a nós? ou continuaremos sempre a fazer a nossa memória, não aquela a que temos direito, mas aquela que queremos ter?

 PAULO MENDES PINTO

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