Quero o 25 de Abril! Não o Revivalismo!

Em primeiro lugar, devo declarar que duvidei em titular este post com a presente nomenclatura, ou em fazê-lo com a denominação “Peço desculpa”.

Isto porque sempre que oiço os discursos, dos mais variados quadrantes da sociedade portuguesa, todos os anos, por altura do 25 de Abril, me parece que todos querem, de forma egoísta, ser donos desta data. Aliás, mesmo fora da altura das comemorações, quando falo com as gerações mais avançadas (obviamente com honradas excepções) quase me sinto obrigado a pedir desculpa por ter nascido depois de 1974. Por não ter sentido as amarguras do totalitarismo. Por não ter lutado pela liberdade. Pasme-se, por ter esse imenso defeito de já ter nascido em liberdade. Aproveito agora para pedir desculpa… Perdoem-me por ter nascido em 1978! Mas quanto a isso não posso fazer nada, falem com os meus pais.

Se quiserem, todos os que querem ser donos da liberdade (antítese curiosa esta, não?), ficar com o monopólio do 25 de Abril, por mim tudo bem. É vosso! Para mim, o importante não é a data. Claro que reconheço que os marcos cronológicos são importantes por questão de memória. Mas se a memória servir para construir um futuro, não para que fiquemos reféns do passado, ou de passados. Retomando, para mim, o importante são as vitórias que se alcançaram, as que se deveriam ter alcançado e as que ainda podemos, ou devemos alcançar, com a mudança proporcionada pelo 25 de Abril.

Quero o 25 de Abril do fundamental, não o revivalismo do acessório!

Quero o 25 de Abril progressista, não o revivalismo paternalista dos que, substituindo instituições decadentes, querem ser os novos “pais da pátria”!

Quero o 25 de Abril que permite à minha geração respeitar a sua Constituição e alterá-la, se necessário, para construir um melhor futuro para todos; não o revivalismo de sempre ter de seguir Jorge Miranda, Gomes Canotilho ou Tavares Miranda, com todo o respeito por estes mestres, digam o que disserem, por serem “os pais da Constituição”! (Em 34 anos não terão surgido novos constitucionalistas de valor em Portugal?)

Quero o 25 de Abril que me faça relacionar-me com os meus irmãos lusófonos de forma descomplexada; não o revivalismo de paternalismo neo-colonialista em relação a África, ou reaccionário relativamente ao Brasil, ou amnésico no que diz respeito à Ásia!

Quero o 25 de Abril que me permita analisar o seu antes, durante e depois, de forma imparcialmente analítica; não os revivalismos maniqueístas!

Quero o 25 de Abril que respeite as mulheres; não o revivalismo que as controla dando-lhes a ilusão das “quotas”!

Quero o 25 de Abril que me permita sonhar com um futuro colorido; não o revivalismo que apresente uma outra tonalidade de cinzento!

Quero o 25 de Abril verdadeiramente democrático; não o revivalismo proporcionador das oligarquias partidárias!

Quero a essência do 25 de Abril sempre, mas o revivalismo… Nunca mais!

Nuno Frazão

Um pensamento sobre “Quero o 25 de Abril! Não o Revivalismo!

  1. Nuno, Nuno, ainda bem que tens tantas expectativas! Eu interpreto-as como visões do futuro! Muitas delas seriam menos possíveis sem o 25 de Abril. Pode ler na Biblia: “Os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos” (Actos dos Apóstolos 2:17). Isso explicará melhor em termos psicológicos modernos que os sonhos são alimentados pelos resquícios do passado! Deixe os velhos sonhar (ou ter pesadelos) acerca do 25 de Abril, e o seu antes e depois! É o revivalismo. Ninguém pode impedir os jovens de terem as suas visões! Sonhar é que não, nem mesmo um futuro colorido!

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