Os Portugueses – Um povo afável, mas politicamente instável

Não quero deixar passar o 25 de Abril sem um registo pessoal. Vindo de Goa para fazer investigações nos arquivos de Portugal para uma tese de doutoramento, estive cá em Dezembro de 1973 com um passaporte indiano que era válido para todos os países, menos Rodésia do Sul e Portugal. São óbvias as razões. Rodésia era um país com regime de apartheid, e Portugal estava com relações cortadas com a Índia desde 1961. Se deixaram-me entrar, é porque  Portugal continuava a acarinhar Goa. Na embaixada portuguesa em Madrid emitiram um visto num papel solto. E logo após as movimentações em Leiria, duas semanas antes do 25 de Abril, recebi uma visita de um agente António Fernandes, de PIDE, para eu sair de Portugal. Avisavam-me para me proteger e o agente acompanhou-me até à fronteira Tuy, porque eu manifestei o meu interesse em visitar Santiago de Compostela. Acompanhei o 25 de Abril a partir de Madrid.  Guardo excelentes memórias dos meses que passei em Portugal antes do 25 de Abril. Se decidi recuperar a nacionalidade portuguesa em 1994, não foi por causa de 25 de Abril. Tinhamos a democracia a funcionar em Goa 13 anos antes do 25 de Abril português. A razão principal era por Portugal ter entrado na UE em 1986. Achei que isto garantia a estabilidade política em Portugal. Digo isto porque hoje na Assembleia da República somente o representante do partido PS foi positivo na sua avaliação dos 34 anos desde 25 de Abril, particularmente no que diz respeito à integração de Portugal na UE e a ratificação do Tratado de Lisboa.

Tenho grande respeito e admiração pelo povo português. São pessoas amáveis, sinceras e honestas. O mal é estrutural e leva algumas destas mesmas pessoas, e os líderes políticos em particular, a serem incoerentes consigo próprios. Muitas vezes nem parecem ser as mesmas pessoas.

Faço hoje votos para que o povo português tenha o que realmente merece, e consiga ultrapassar situações de pobreza e atraso.

Teotónio R. de Souza

Um pensamento sobre “Os Portugueses – Um povo afável, mas politicamente instável

  1. Lendo o teu artigo, lembrei-me de que estive em Lisboa em 25 de Abril e segui então os acontecimentos. Cresci em Goa na aldeia onde estavam aquartelados os militares portugueses: Reis Magos (Verem). Éramos crianças, e o Alferes Estrela gostava de nós. Após as aulas de Catequese eles conversavam connosco e ainda nos levavam passear de jeep. Uma vez nos levaram a Betim. A minha Mãe, como também Dona Fremiota, a mãe dos dois rapazes colegas, Mário e Chico, e a avòzinha de Walty, Dona Maria Rosa, estiveram à nossa busca com susto. Mas voltámos com os militares portugueses, que pediram desculpas por aquilo que tinha acontecido. Vimos que os portugueses eram amáveis e tinham consideração por crianças que então éramos. Possuia ainda algumas fotografias daqueles tempos.
    Em Lisboa vi com gosto o que podia ver. Desejo que Portugal prospere e cresça!
    Ivo da Conceiçao e Sousa

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