As tragédias trazem bons tempos para as Religiões

 

Quem fez o 25 de Abril? Terão sido os capitães e os milicianos, como geralmente se proclama,  ou toda a juventude portuguesa do interior e suas familias cansadas e frustradas com as guerras coloniais que só lhes prometiam uma glória vã e oportunidade de morrer pela nação em que floresciam uma dezena e poucas famílias empresariais e tantas outras famílias dos políticos que lhes garantiam continuidade para o Bem da Nação? Lembro-me da minha visita a Bom Jesus do Sameiro em Janeiro de 1974. Era triste ver magotes de velhos e senhoras jovens, algumas já viuvas e outras mães com filhos enviados para África! Vinham vestidas de negro e cinzento para cumprir promessas. A Igreja servia para essa catárse.  Deveria servir é para denunciar e por fim às causas de tanto sofrimento individual e colectivo. Frei Bento escreve na sua crónica dominical de hoje no PÚBLICO que “fazei isto em memória de mim” não tem nada a ver com a memória de um Deus vingativo! Mas porque será que um acto eucarístico tão central ao catolicismo só ficou como Memória (de um passado) e não ofereceu motivação suficiente para não termos que ficar com novas memórias estéreis que de pouco serviram, servem ou servirão para actualidades vividas?  Para que tantos debates sobre pluralismo religioso? São uma expressão da culpabilidade pelos abusos que o cristianismo e o islão perpetraram no passado?  Ao contrário daquilo que escreve Faranaz Keshavjee, qual é a religião que não tem os seus valores correspondentes aos de din e dunya?  Se todas continuarem a vigorar no sistema político (fundamentalismo laico?) que o Ocidente preza como o único válido e de maneira como tenta impô-lo aos povos em vias de “modernidade”,  temos esperança de ver novas tragédias de grande escala nos próximos tempos. O Cristianismo tão intimamente e historicamente casado com os valores do Ocidente  depende das suas contribuições para sustentar as estuturas do Vaticano, e outras. Não pode evitar certos compromissos e algumas adorações ao bezerro de ouro! Mas duvida-se que se possa exigir o mesmo do Islão. Afinal parece ser verdade que as Religiões prosperam e têm os seus bons tempos quando a humanidade chora! 

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s