A Chegada da Primeira Imprensa à Ásia

 

A primeira imprensa fora enviada a Abissínia, na África, em 1515. Mas como o Governo da Etiópia era contra os missionários, a imprensa veio parar a Goa em 6 de Setembro de 1556, ao Colégio de São Paulo, Velha Goa. O Jesuita D.João Nunes Barreto, o Patriarca de Etiópia, saindo de Portugal em 30 de Março, chegou a Goa em 6 de Setembro (Domingo) de 1556, com o Irmão Jesuita Espanhol, Juan Bustamante. Foi assim que a primeira imprensa “moderna” chegou a Goa.

Em 6 de Novembro de 1556, a primeira publicação em forma de panfleto, era Conclusões Públicas de Lógica e Philosophia, Proferidas No Colégio (uma sinopse de teses), em Lógica e Filosofia, a serem defendidas por dois alunos do Colégio Jesuita de São Paulo, Velha Goa. As Teses, que eram antes escritas à mão, eram agora impressas e coladas à porta da igreja e mandadas aos Dominicanos e aos Franciscancos, e distribuidas a quem quisesse ter uma cópia (cf.Joseph Wicki, SJ, Documenta Indica, vol.3, 13, 575). A defesa da Tese era presenciada por muitos monges de ambos conventos (Dominicanos e Franciscanos), e médicos e homens cultos desta cidade e muitos outros e nobreza (fidalgos). Havia alocuções por muitos vindos de fora. Entre eles, havia um soldado português que fez um discurso em grego em louvor da Sociedade de Jesus com muito agrado dos participantes. Durou até à noite (segundo diz uma carta do Irmão Aires Brandão, datada de 29 de Novembro de 1556, aos Padres e Irmãos de Portugal).

Mais tarde foi publicado o Catecismo de Doutrina Christã, escrito parcialmente em Concani por São Francisco Xavier e por um professor do Colégio, ou talvez um aluno, André Vás; e também o Confessionário, um guia para confissões por D. João Nunes Barreto.

A mesma imprensa do Colégio de São Paulo da Velha Cidade foi transferida ao Seminário de Rachol. O primeiro livro a ser impresso no Colégio de Rachol foi Krista Purana (“Discurso sobre a Vinda de Jesus Cristo Nosso Salvador ao Mundo”) em 1616 pelo Jesuíta Tomás Estêvão, o primeiro inglês na Índia. Foi a sua informação aos seu pai e irmão que provocou em parte a instituição da Companhia das Indias Orientais do ingleses, que acabou por tomar conta da Índia como parte do império britânico.  Este livro foi escrito em língua falada em Goa, misturada com Marata, em forma poética. Era cantada pelo povo ao som do tamborim (ghumott). Ele escreveu também Arte da Lingoa Canarim, originalmente em alfabeto romano. Foi revista, ampliada e publicada no Colégio de Rachol em 1640 pelo seu aluno, Pe. Diogo Ribeiro. Era com o intuito de preparar os missionários a falar Concani. Padre T. Estêvão esteve em Baçaim, onde durante dois anos já preparava o seu clássico poema Krista Purana. Foi Reitor do Colégio de Rachol (1590-1594). Faleceu em Goa com 70 anos de idade, em 1619. O último livro a ser publicado em Rachol foi Regras da Companhia de Jesus em 1674. A imprensa permaneceu em Rachol desde 1616 até 1674.

 

2 pensamentos sobre “A Chegada da Primeira Imprensa à Ásia

  1. Mantem-se ainda uma dúvida acerca da ausência de qualquer impressão em Goa durante quase um século antes da chegada da imprensa liberal em 1821. Atribui-se a um decreto de Marquês de Pombal que temia que os jesuítas continuassem a usar a imprensa. Mas a partir de 1759 a Companhia estava efectivamente extinta em Portugal e suas colónias. Além disso quase nenhum decreto de Pombal foi eficaz em Goa! Porque seria eficaz um decreto contra a imprensa?

  2. E verdade. Os historiadores notam um hiato em matéria de quaisquer publicações eventualmente saídas dos prelos de Goa, entre os anos de 1654 e 1657, ano em que uma ordem enviada em nome de El-Rei pelo Secretário de Estado, Diogo de Mendonca Corte Real, proibiu estabelecer qualquer imprensa « não só particular mas ainda nos conventos, colégios our qualquer outra comunidade por mais privilegiada que seja » (Cunha Rivara, O Cronista de Tissuari, vol.2, p.95). Em 1821 a Junta Provisional mandou vir de Bombaim uma tipografia e foi desta que saiu o primeiro jornal oficial Gazeta de Goa que, « além de documentos oficiais, inseria algumas informações da metrópole e do estrangeiro que de qualquer maneira chegassem à Índia ». A partir do ano 1838—ano em que saiu A Biblioteca de Goa, o primeiro jornal literário—começaram a vir a lume várias publicações dedicadas às belas-letras. Seguiram o Enciclopédico, o Compilador, o Mosaico, a Revista Ilustrativa, o Vergel, o Tirocínio Literário; de 1846 a 1848 O Gabinete Literário das Fontaínhas, A Harmonia, O Recreio das Damas, A Harpa do Mandovi, Goa Sociável e a Ilustração Goana. Com a fundação do Instituto Vasco da Gama por Tomás Ribeiro, em 22 de Novembro de 1871, expandiu-se a vida cultural de Goa. Publicaram-se várias revistas literárias, tais como Álbum Literário em 1875, sob a direcção do Padre Narciso Arcanjo Fialho e António Felix Pereira, a Estreia Literária, O Divan Literário. O Ultramar foi o primeiro semanário que veio em 6 de Abril de 1859, sob a direcção de Bernardo Francisco da Costa. Dois anos mais tarde, em 1861, um outro semanário A Índia Portuguesa começou a ser publicado sob a responsabilidade redactorial de Manuel Lourenço de Miranda Franco. O primeiro jornal diário, O Heraldo, foi publicado em 1900, fundado por Aleixo Clemente Messias Gomes. Em 21 de Maio de 1908 António Maria da Cunha que tinha sido director de O Heraldo de 1902 a 1908, lançava um outro diário Heraldo cujo redactor efectivo era o general-médico José Maria da Costa Àlvares. Este diário deixou de ser publicado em 1962.

    Em 1 de Dezembro de 1919 apareceu o Diário da Noite, fundado por Luís de Menezes que o dirigiu até 1950, ano em que, por motivo de doença, a sua direcção passou para António de Menezes. Este periódico, o primeiro e o único jornal da tarde, viveu até 1967. O diário A Vida, fundado em 1938 por Sales da Veiga Coutinho, Pedro Correia Afonso, Francisco Correia Afonso, António Colaço, A.F.Peregrino da Costa, marcou no meio social e intellectual de Goa até 1967. Este escol de homens de letras começara, em 1925, a publicar o Suplemento Mensal do Heraldo que, em 1931, se transformou no Heraldo dos Domingos.

    Luís Menezes de Bragança (1878-1938) batia-se pelas ideias do progresso e da República no Nacionalista e nos semanários O Debate e Pracasha.

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