Casos

CASO RONALDO

Aqui a imprensa falada e escrita procura justificar o injustificável, porque o Ronaldo é acarinhado por todos os brasileiros e enfiar uns travestis no carro não é propriamente um acto de astro, estrela cintilante. Soa mais a decadência, julgo. Ou muito me engano ou é o fim. Antes assim do que acabar como o Ayrton Sena, conta uma parede, apesar de tudo. A Nike pensa em em pôr fim ao contrato milionário que mantinha com o jogador, muitas portas vão-se fechar.

Ronaldo, pá, ires às gajas da rua, apesar de tudo, é de macho, agora travecas?!

Júlio Machado Vaz, veja o que pode fazer pelo rapaz…
CASO ISABELLA
A polícia concluiu o relatório. O pai e a madrasta terão mesmo morto a menina. A madrasta esganou-a e o pai atirou-a da varanda. O desiquilibrio emocional do casal foi a razão encontrada para a vil atitude. Espera-os uns anos na cadeia, junto com os outros criminosos. Como eram classe média-alta, o caso chocou a sociedade. Se fossem pobres era apenas mais uma atrocidade.
CASO BAMBOO
O Bamboo é um Night Club, com prostituição e tudo. O site é http://www.bamboobar.net/zurbamboo_en.htm para quem quiser dar uma olhada. Os clientes são, na sua maioria, alemães velhos e gordos e as malucas são bem morenas, como esses alemães velhos e gordos gostam.
Outro dia, mataram um cliente no Bamboo. Quem foi? O patrão do Bamboo e o gerente, ambos de origem germânica, que terão presenteado com porradinha da velha o cliente que estava a portar-se mal. Muito mal, segundo a imprensa. Apresentaram-se ao juiz, depois foram soltos, como é habitual aqui. Ficam à espera da conclusão das investigações. O patrão foi-se, desapareceu, e o gerente continua no Bamboo, a gerir a casa. Não sei como funciona em Portugal, mas aqui, quem não for apanhado em flagrante desaparece por 24 horas. Depois apresenta-se na esquadra, presta depoimento, já com o advogado ao lado, e em seguida é solto, ficando em liberdade a aguardar as investigações.
CASO BANCO DO BRASIL
O Banco do Brasil é um desastre. Nasceu torto e torto continua. D. João VI criou-o, em 1808, para imprimir papel-moeda, sem reservas de ouro à altura, claro. Imprimiu, imprimiu, imprimiu e a corte gastou, gastou, gastou até que 10 anos depois “quebrou”. Depois foi reaberto, até hoje. O Banco do Brasil é um banco da ditadura, porque põe e dispõe e trata mal os clientes, que ficam horas à espera de vez para serem atendidos.
Hoje fui ao Banco do Brasil. Cheguei às 9.20, para então esperar a abertura às 10 e ser um dos primeiros, arriscando-me menos a horas de espera. Num instante estavam cerca de 100 pessoas na fila. Um dos dois caixas atendia clientes normais, a outra os velhinhos. Passados dez minutos da suposta abertura, a caixa de clientes normais anuncia: “Estamos sem dinheiro, quem quiser fazer depósitos passa à frente”. O burburinho começou, as vozes fizeram-se ouvir, como é costume. Eu fiz ouvir a minha, irritado:
“Isto é uma palhaçada. Um banco sem dinheiro. Mas isto é uma peixaria ou um banco?”. O pessoal concordou. Concordam sempre. Eu continuei: ” Eu vou embora dia 20 e aqui não voltarei, mas vocês, brasileiros, são muito estranhos a protestar. Começam zangados mas passados dez minutos já estão a rir, na brincadeira. Ninguém vos leva a sério, nem aos vosso protestos”. Não sei se entenderam o meu português.
Quando chegou a minha vez falei com a senhora no caixa: “A culpa é do gerente, de quem manda, e vocês deveriam ser os primeiros a falar com ele, porque todos os dias ouvem o povo”. Ela sorriu, indiferente. Pernambuco é assim, não reage ao que está mal, não conhece os direitos, não lutando por eles.
AFINAL REAGEM!
De vez em quando, Pernambuco reage. No 1 de Maio, uns quantos pernambucanos conscientes da sua cidadania, enrolaram em 500 sacos pretos, areia, em forma de corpos. Espalharam-nos pela praia de Boa Viagem, tentando lembrar que já morreram, assassinadas, mais de 1500 pessoas, só nos primeiros 4 meses do ano.
Por ano morrem cerca de 30 mil pessoas assassinadas, no Brasil. O Restelo, que leva mais ou menos isso, nunca encheu, Imaginem o Restelo com 30 mil mortos, a alegria que seria!
Pedro Araujo – pedroaraujo68@gmail.com

Um pensamento sobre “Casos

  1. É pena que isto sucede no Brasil. Colonialismo pode levar-nos a tal degradação. A tolerância da nossa parte não deve ser atestado da nossa fraqueza. Racismo prevalece ainda hoje. O mais forte leva vantagem. Lembro-me como tínhamos de estar de pé nas bichas para o nosso visto. Uma vez vi que os meus conterrâneos indianos estavam à espera por longo tempo no consulado francês em Roma. Fui lá pedir o meu passaporte com visto francês. Um dos empregados (ou oficiais) estava a conversar com uma moça corpulenta. Gritei em francês. Tantos à espera, mas tão poucos a trabalhar. Imediatamente o meu passaporte veio à mão e os meus conterrâneos me saudaram com um sorriso de vitória.
    Compreendo como os colonizados podem ser desprezados. Isto mesmo notei em Paris. A pele negra era desprezada. Apesar de não ser negro, mas moreno, e falando francês– pois fui barra no francês, quando aluno–, tive esta dolorosa experiência de ser tratado por vezes como um “indiano” do Terceiro Mundo. Dizer que “sou goês” fazia diferença. Isto notei em quase todos os países da Europa.
    Somos povo pacífico. Ainda na Índia toleramos falta de tantas amenidades, apesar de tanto progresso em todas as zonas da vida…

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