VIII Oficina da História – *História: Que Futuro?*

O Curso de História na Universidade Lusófona (Lisboa – Campo Grande, 376) organiza todos os anos uma Oficina da História para conscientizar e treinar os jovens estudantes nos segredos da História! Porque será que os políticos dão e controlam subsídios para a investigação histórica? Promovem alguns projectos comemorativos e marginalizam outros? Porque será que todos se interessam pela história quando estão à borda da reforma? Porque será que tanta gente se irrita quando alguém lhes conta o seu passado de maneira diferente daquela que gostariam de ouvir, e sentem-se felizes quando se concorda com a sua versão do passado? Porque promovia o Estado Novo uma história “nacionalista-patrioteira” e passada pelo crivo da censura como conhecemos? Porque, porque, porque?

A História é um Olhar do Tempo nos /sobre  Tempos. Salvador Dali produziu o seu Olho do Tempo. Era a sua visão surrealista, mas problematizante, da história da humanidade e de cada um de nós. Na realidade a nossa história começa sempre e normalmente com choro de bebé, e acaba também “neste vale de lágrimas” com algumas ou muitas lágrimas. É o que faz da História, a Mestra da Vida. Sugere isto o cartaz ilustrativo (podem observar uma lágrima a cair do olho-relógio) de convite aos participantes da Oficina (com entrada livre)

A próxima VIII edição da Oficina da História em 2 de Junho (18-22 h. no auditório Pessoa Vaz, da ULHT, Campo Grande) vai debruçar-se também sobre História e Empregabilidade, um tema preocupante para os que se interessam em enveredar pelos caminhos da História! Partilharão as suas experiências alguns licenciados em História na Universidade Lusófona. Felizmente, nem todos se deixam levar pelo desânimo e perspectivas de empregabilidade em tempos que vivemos! Dizia um especialista na reforma de Bolonha há duas semanas numa sessão de avaliação na Universidade Lusófona, que ele antes empregaria um licenciado em História num jornal, de preferência a um licenciado em Ciência de Comunicações. Acha que neste país “comunica-se bem” muita informação errada e mal digerida.

O programa do evento consistirá de duas sessões: Na primeira intervirão os docentes que durante seis semanas dirigiram na ULHT um curso livre organizado pelo Curso de História sobre “Patrimónios: Temáticas e Problemáticas”. Os docentes intervenientes serão: Prof. Doutora Judite Primo (património museológico), Prof. Doutor Vitor Serrão (património pictórico), Prof. Doutora Teresa Vale (património escultórico), Prof. Dr. José Diogo Mateus (património urbanístico), Prof. Doutora Ana Cristina Martins (património arqueológico) e Prof. Doutor Teotónio R. de Souza (património histórico). Para além destes Professores foi convidado Doutor José Manuel Garcia, responsável pelo gabinete de investigação histórica da câmara de Lisboa, e autor de muitas obras, incluindo a mais recente edição dos mapas raros da Ásia pelo cartógrafo Francisco Rodrigues, lançada pela Universidade do Porto, com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Os 15 alunos que participaram receberão os seus certificados durante este evento. Para a segunda sessão do evento foram convidados alguns licenciados do Curso com disponibilidade para partilhar connosco as suas experiências pessoais-profissionais em termos das competências adquiridas e o mais que recomendam para o melhoramento do ensino-aprendizagem. Confirmaram a sua participação: Dra. Maria Fernanda Matias (Fundação Calouste Gulbenkian), Dra. Rita Andrade (Fundação Calouste Gulbenkian), Dra. Ana Catarina (Museu de Setúbal), Dr. Fernando Pereira (Instituto de Segurança Social), Dr. Nuno Grancho (mestrando, Instituto de História da Arte, Universidade de Lisboa).

No decorrer da Oficina serão dados os certificados aos 15 alunos que participaram no curso TEMÁTICAS E PROBLEMÁTICAS DO PATRIMÓNIO (12 Jan-23 Fev. 2008).

Terão direito ao certificado de participação os que assinarem a sua presença na VIII Oficina de História.

Neste contexto temático da Oficina queremos deixar aqui para reflexão o que diz um educador e historiador:

“É verdade que a História não tem uma utilidade prática evidente: não ensina a manejar uma máquina registadora num qualquer hipermercado e não reduz o esforço do trabalho numa obra pública de construção civil. Também não ajuda a acelerar o processo de criação de uma empresa-fantasma destinada a colher subsídios e morrer, nem mesmo é condição vantajosa para se progredir na estrutura local ou nacional de uma agremiação partidária do centrão governativo.

Mas a História, enquanto disciplina que pretende transmitir uma Memória do que nos é ancestral, levar-nos a conhecer o que outros experimentaram, o que sofreram e como o ultrapassaram, assim como tudo aquilo que funcionou bem e como foi feito, é essencial para formar cidadãos informados e capazes de emitir opiniões que não sejam condicionadas apenas pelos apelos mais imediatos.

De certa forma, a História e a Memória ajudam a criar um modelo de cidadão indesejável nos tempos que correm, porque será necessariamente, pelo menos em parte, um Homem Velho por ter dentro de si o conhecimento, mesmo que parcelar e parcial, do passado. E os novos tempos querem um Homem Novo, o mais vazio possível para que seja possível impregná-lo com tudo aquilo que a propaganda de hoje quer fazer passar como sendo os valores essenciais da modernidade tecnológica, mas que mais não é do que a redução dos indivíduos a autómatos.”

Paulo Guinote – http://www.aph.pt/opiniao/index.html

4 pensamentos sobre “VIII Oficina da História – *História: Que Futuro?*

  1. A VIIIª Oficina de História pretende ser um espaço aberto de reflexão sobre o nosso “métier”, o que fazemos e como fazemos História. Há muito caminho a percorrer para melhorarmos não só o curso inserido no espírito de Bolonha mas a escrita da História que produzimos, fruto da investigação e do trabalho como professores e alunos. Mas como já dizia Samora Machel: uma semente guardada numa gaveta, apodrece. Ela tem de ser semeada para germinar e produzir frutos.

  2. Discordo de Paulo Guinote.
    Efectivamente a História não tem uma utilidade prática visível. E durante muitos anos foi encarada como uma disciplina menor do conhecimento, à qual se dedicavam apenas alguns “nerds” que formavam clubes restritos com uma linguagem hermética e passavam o tempo enfurnados nas bibliotecas.
    Porém as coisas estão a mudar. E a mudar para melhor, muito melhor.
    Com o avanço da tecnologia, também a economia se viu obrigada a adoptar novos ritmos, muito mais acelerados. Às grandes empresas já não basta ter os seus balancetes e relatórios de contas periódicos; precisam de possuir uma visão mais ampla da sua organização e da forma como se insere e reage no seu campo de actividade.
    E é aqui que entra a História, como disciplina essencial para conhecer o passado da organização – para nomeadamente decidir o que é ou não importante nas toneladas de papel que foi acumulando ao longo da sua existência – e, a partir daí, poder planear o seu futuro.
    Por outro lado, o Homem Novo de que fala Guinote – e mais uma vez graças ao advento das novas tecnologias – deseja cada vez mais satisfazer a sua curiosidade em relação ao que o rodeia, pois tem vindo a compreender que informação é poder.
    As pessoas com que tenho conversado, nos mais diversos círculos, têm sempre interesse em saber como aconteceram as coisas, qual a relação de causa-efeito que nos conduziu onde estamos hoje a todos os níveis.
    Compete à História não deixar estiolar esse interesse e, pelo contrário, estimulá-lo. De nada serve ficar a lamuriar-se que é uma disciplina tão importante e tão esquecida, se nada fizer para contrariar essa tendência. Claro que, para isso, precisa de sair da sua redoma, olhar para além do seu umbigo e descobrir novos horizontes de intervenção. Aliar-se a outras áreas do conhecimento, pois, como integrante das ciências humanas, tem à partida vocação para ser transversal a todas elas.
    Recordo Vasco Pulido Valente quando afirma que “o mundo está perigoso!”. É verdade, mas a diferença é que agora os cidadãos têm consciência disso e têm também consciência de que terão de ser parte da solução, para não serem parte do problema…

  3. É verdade que a História é Mestra da Vida. Os eventos se indagam numa conexão causal. Lembro-me dum professor da História Universal que a cada passo perguntava: “Que é que aconteceu? E por quê?” Era necessário fazer conexões pertinentes entre diversos eventos históricos. De facto, temos de estudar os grandes factos da história com uma mentalidade unificadora, abrangedora, como sói dizer-se hoje, holística, isto é, quando estudamos a Revolução Francesa, temos de indagar o contexto histórico, económico e social e ver os factores que precipitaram a Revolução. Quando analisamos o evento de Renascimento, temos de investigar o contexto, os factores e as razões porque o Renascimento começou na Florença (Itália). Chegaremos a conhecer os factores comuns das revoluções e renascimentos. O historiador poderá ser não só conhecedor dos eventos, mas também iniciador dos acontecimentos, senhor da história contemporânea, mestre da vida…
    Dr.Ivo da C.e Sousa

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