Relembrando um cirurgião goês

Dr. José Bento do Rosário Sousa Ejipsy foi cirurgião de mão cheia. Era natural de Calangute, em Goa, meu coaldeano. Nasceu em 27 de outubro de 1925 e faleceu com 74 anos, em 14 de fevereiro de 1999.

Dr. Bento completou o seu curso na Escola Médico-Cirúrgica de Goa em 12 de setembro de 1950. Foi Professor Assistente da Escola Médico-Cirúrgica por seis anos sob a direcção do Dr. Renato Fernandes.

Estudou na Universidade de Coimbra, Portugal, e obteve o grau em Medicina e Cirurgia. Especializou-se em cirurgia cárdio-vascular no “Centro de Cirurgia Cardio-Vascular da Zona Sul“, em Lisboa, sob a direcção do Dr. Rui de Lima. O seu Director , Dr.J. Décio Ferreira, louvou a sua perícia professional. Também recebeu o tirocínio em cirurgia toráxica (pulmonar, esofagal, diafragmática e cardíaca) no Hospital Queen Elizabeth de Birmingham, Inglaterra, onde trabalhou por mais de um ano sob cirurgiões de calibre, como Dr.A.L. D’Abreu e Dr.L.D. Abrams. Ele trabalhou também no “Thoracic Surgical Centre” de Hill Top Hospital em Bromsgrove, Worceshire, na Inglaterra. Foi eleito membro de Cirurgiões da Inglaterra (FRCS), mas como não tinha mais tempo, satisfez-se com FICS.

De regresso a Goa, Dr.Bento foi nomeado em 1962 Cirurgião Especialista (ou Super­intendente) do Sanatório S. José, em Margão, então único centro para cirurgia toráxica na região do Concão da Índia Ocidental, e cirurgião honorário do Hospital de Ribandar. Simples e modesto, foi médico excepcionalmente competente. Conhecido naquele tempo por suas operações de pneumectomia para cancro dos pulmões e esofagostomia, foi demiurgo médico que substituiu os alvéolos dos pulmões com bolas de ping-pong. Trabalhou também na Casa de Saùde (Hospital do Dr. Lulú Àlvares), seu hospital privado em Margão. Ele ajudou os doentes com todos os tipos de operações. Foi sumidade no seu diagnóstico. Dedicado ao seu serviço, aposentou-se em 1979 do serviço público, e prestou serviço em Margão, Ribandar e no seu consultório privado na Rua de Ourém, em Panjim. Foi sempre fiel aos valores hipocráticos. 

A família do Dr. Bento d’Ejipsy Sousa sente orgulho legítimo de ter enriquecido a sociedade goesa com médicos. O seu pai, Dr. Eduardo d’Ejipsy Sousa foi médico do Asilo de Mapusa, e o seu avô paterno, Dr. João Crisóstomo d’Ejipsy foi mais que médico. Era orador, professor, escritor, jornalista e educador. Natural de Calangute, nasceu em 28 de Outubro de 1870,  filho de João Egípcio Plácido Romualdo Sousa e de D. Marinha Carlota Assucena dos Prazeres Mártires, neto de Bento Gaudêncio de Sousa. Estudou latim com o Reverendo William Robert Lyons, completou o curso no liceu nacional e no Instituto Profissional, e obteve o grau de Medicina e Cirurgia na Escola Médico-Cirúrgica de Goa, em 28 de Março de 1894. Fundou uma associação académica, o Ateneu Literário, que durou pouco. Praticou medicina na sua aldeia durante cinco anos.  Foi professor substituto de Física e Química e Ciências Naturais no Liceu Nacional Afonso de Albuquerque, desde 25 de Junho de 1899, na ausência do Prof. Dr. Costa Álvares, e após a sua exoneração foi nomeado professor efectivo da mesma disciplina em 28 de novembro de 1904. Tinha pendor para matemática e ciências. Ensinou também português e literatura portugesa. Tinha bom conhecimento do latim e etimologia.  Teve que ser entrar em reforma devido à sua idade em 19 de novembro de 1937.  Esteve envolvido em actividade social e política e contribuiu para a imprensa: A Voz do Povo, em Calangute, era órgão do partido político Progressista. Participou no Congresso Provincial de Goa e foi seu presidente. Foi membro do Conselho da Província, e da Junta Geral de Provincia. Colaborou n’ O Crente, então Boletim oficial da Arquidiocese de Goa, e substituido posteriormente pel’ A Voz de S. Francisco Xavier.  Colaborou n’ O Jornal do Povo, fundado pelo Conde de Maém, envolvido na revolta de 1895. Foi membro do Instituto Vasco da Gama (hoje Institute Menezes Braganza). Participou em 1935 na primeira Comissão Provincial da União Nacional da India Portuguesa, presidida pelo General Miguel Caetano Dias. Recusou o ensejo de visitar Portugal durante a sua vida activa em Goa.  Durante o período da sua reforma, publicou “O Catálogo Botânico das Plantas de Goa e Terras Vizinhas” , umas 150 páginas, no Boletim do Instituto Vasco da Gama, em 1944. Faleceu com 76 anos de idade, em 7 de Dezembro de 1947. O Governador Vassalo e Silva inaugurou em 28 de Maio de 1961 uma nova escola primária com o seu nome no bairro de Sauntvado em Calangute. 

Dr. Ivo da Conceição e Sousa

 

 

 

 

 

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