Francis Newton Souza

Francis Newton Souza, o mais importante representante da arte moderna indiana, de naturalidade goesa, da aldeia de Saligão, em Goa, morreu aos 77 anos de idade. Tinha-lhe morrido cedo o pai. Foi criado pela mãe com muitas dificuldades financeiras, trabalhando como costureira. Francis Newton foi apanhado por varíola que deixou-lhe marcas na cara. O nome Francis veio de um voto da mãe ao santo padroeiro de Goa, S. Francisco Xavier. A familia emigrou a Bombaim ( agora Mumbai), quando Francis Newton tinha somente 5 anos, em 1929. Francis Newton distinguiu-se pelo record de expulsões das escolas: em 1937, em 1939, e mais tarde da escola de Belas Artes de Mumbai, a Sir JJ school of art, donde foi expulso em 1945. O seu temperamento irriquieto e crítico dava para isso!

Em 1947 conquistou o primeiro prémio na exposição anual da Bombay art society . Francis Newton inscreveu-se no Partido Comunista e iniciou o Grupo de Artistas Progressivos juntamente com KH Ara, SK Bakre, HA Gade, MF Husain, e SH Raza, que marcaram a história da arte contemporânea na Índia.

Quando a suas pinturas foram exibidas na Burlington House, Souza decidiu fixar a sua residência em Londres em 1949. Teve que lutar muitos anos para ser reconhecido. Trabalhou como jornalista. Escreveu uma autobiografia que foi publicada em 1955. Stephen Spender apresentou-o a Victor Musgrave, proprietáio da Gallery One em 1955. Teve grande sucesso a sua primeira exibição, e foi o começo da sua fama.

Em 1964 começaram novas dificuldades. Casou-se com uma menina de 16 anos, o que fez notícias! Quando chegou-lhe a oferta de um contrato da agência Schuster em Detroit, Souza e a sua jovem esposa não esperaram mais. Mudaram a residência para Nova Iorque, onde ficou até à sua morte.

Deste lado do Atlântico F.N. Souza foi esquecido até que recentemento a Tate Modern expôs a sua magnífica e brutal tela da Crucifixão (1959), lembrando-nos da capacidade expressiva de F.N. Souza. Souza continuou os seus trabalhos em Nova Iorque, mas manteve sempre os seus contactos com a sua terra natal, a Índia. Através da imagem de Cristo crucificado em preto, F.N. Souza manifestava os seus conflitos religiosos pessoais, bem como as tensões culturais entre pretos e brancos, cristãos e não-cristãos, colonisadores e colonisados.

Os temas da sua arte mudaram pouco durante todo o seu percurso artístico : Foram os crucifixos, última ceia, figuras nus e eróticas, mãe e criança, paisagens. Na fase final inventou “chemical works”, em que combinou notícias impressas com pintura. Dizia ele que “o sentido da vida é a própria vida”! Acreditava que tudo acontece por determinação da Natureza. Possuia um sentido de humor muito característico e marcado por cepticismo. Dizia ele que “os artistas do Renascimento pintavam as pessoas como anjos, mas eu quero pintar para ensinar os anjos a reconhecer como os humanos são”. Morreu numa sexta-feira santa, o que levou muitos a comentar acerca do fim da “sua crucifixão”. Deixou registado o seu último desejo de ver criada uma casa de arte na Índia onde fossem guardadas as suas obras para serem apreciadas pelo público. O seu desejo está a ser concretizado em Mumbai.

Do seu primeiro casamento deixou uma filha Shelley, do segundo os filhos Karen, Francesca e Anya, e do tereceiro o filho Patrick. Tem 6 netos. Srimati Lal foi a sua companheira quando morreu, em 28 de Março de 2002.

Teotónio R. de Souza

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