Situação preocupante na África do Sul

Uma onda de violência xenófoba varreu desde 12 de Maio os subúrbios de Joanesburgo. O alvo de ataques foram os imigrantes do Zimbabué, Moçambique, Congo, Nigéria e Malawi, que procuraram refúgio nas esquadras da polícia local e junto de seus empregadores. Veja-se a explicação do Presidente Mbeki sobre os recentes acontecimentos. Mas a História poderá dar uma lição importante para nunca mais acontecer a limpeza do país de estrangeiros.

COMUNICADO À IMPRENSA

Declaração do Presidente Thabo Mbeki

sobre os ataques contra cidadãos estrangeiros

(Segunda-feira, 19 de Maio de 2008)

“Os cidadãos de outros países do continente africano e fora dele são tão humanos como nós e merecem ser tratados com respeito e dignidade. O nosso humanismo como povo impele-nos a todos nós a respeitar, cuidar, cooperar e agir com solidariedade para com todos os outros povos, independentemente da sua nacionalidade.

“Desumanizamo-nos a partir do momento que começamos a pensar que a outra pessoa é menos humana que nós simplesmente porque é proveniente de outro país. A humanidade é indivisível. Como temos visto, tudo que quebra a estrutura do respeito pelos outros e pela lei abre caminho à criminalidade.

“Como Sul-Africanos, temos que reconhecer e compreender que estamos ligados aos outros Africanos pela história, cultura, economia e, acima de tudo, pelo destino. A África do Sul não é e nunca será uma ilha separada do resto do continente.

“Nunca podemos deixar de ter presente a realidade fundamental da nossa interdependência como povo Africano.

“Apelo a todos os que estão por detrás destes actos vergonhosos e criminosos para parar! Nada os pode justificar. Os organismos que fazem cumprir as leis devem e irão responder com as medidas apropriadas contra todos os que se encontram envolvidos nestes ataques.

“Quero ainda expressar a minha gratidão a todos os membros do público, bem como aos líderes políticos e comunitários que têm vindo a apelar para a cessação imediata destes ataques. Em particular, quero agradecer a todos os que têm prestado assistência às vítimas, oferecendo, entre outras coisas, abrigo, roupas e comida. Ao fazê-lo, demonstraram o verdadeiro espírito Sul-Africano. Vamos trabalhar em conjunto para que alguns criminosos não tenham possibilidade de atingir os seus objectivos desumanos.

“Será feito tudo o que é possível para forçar os criminosos a cumprir a lei. Até agora, já foram presos mais do que 200 alegados criminosos. O Ministro da Segurança e o Comissário da Polícia Nacional irão manter-me informado sobre os acontecimentos e estou confiante que a polícia irá brevemente efectuar avanços significaticos no sentido de chegar à raíz desta anarquia.

“ A transição da África do Sul para a democracia foi um dos testemunhos mais exemplares em todo o mundo de tolerância e co-existência pacífica. Os repulsivos ataques xenófobos a estrangeiros observados recentemente, e prepetrados através de actos de intensa violência e desumanidade, constituem uma ameça aos nossos feitos históricos como nação. Não podemos esquecer a hospitalidade que foi concedida aos Sul-Africanos que se exilaram nos países vizinhos e no resto do continente durante o período do apartheid. O apoio dos estados da linha da frente da África Austral e de todo o continente africano foi decisivo para a conquista da democracia que hoje temos e desfrutamos”.

Embaixada da África do Sul,

Lisboa, 21 de Maio de 2008

2 pensamentos sobre “Situação preocupante na África do Sul

  1. Sr Mbeki,

    Peca por ser tardio! Se já havia problemas sociais inerentes das fracas políticas agora piorou quando não soube estancar a violência quando ela começou. O que mostra ao mundo é que é fraco a tomar decisões, esperemos bem que quando tomar alguma decisão como certa não seja tarde demais ou o país será um monte de escombros e anarquia. Pior que tudo, anos após o fim do apartheid o medo voltou ao país e quem sofre no meio disto tudo são os mais necessitados. Faço votos para que a justiça seja aplicada ou será relembrado como um novo ditador.

    Este maravilhoso país tem muitos expatriados e muitos Sul-Africanos têm outra nacionalidade, vamos ver quem consegue distinguir a violência.

    “N’kosi sikelel i’Afrika”

    Nuno de Lucena

  2. Na África do Sul como noutros pontos do globo, a xenofobia vem sempre ao cimo quando as condições económicas pioram. A culpa é sempre dos imigrantes que “vêm-roubar-o-nosso-ganha-pão”. Na Europa acontece o mesmo. Em Portugal, idem.
    Só quando é necessária mão-de-obra barata é que os imigrantes são bem-vindos,… para serem postos a trabalhar por uma ninharia e sem as mínimas condições de segurança.
    Coisa a que os locais já não se rebaixam,… pelo menos no seu país. Quando por sua vez emigram, sofrem exactamente o mesmo tipo de discriminação com que tratam os imigrantes no seu país de origem.
    Como refere o ditado: “Nunca peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu”.

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