Um Povo sem História

 

Carregam o sonho envolto em fantasia,

escondem o medo na surpresa do dia.

Não choram porque é vergonha!

Lutam com as armas que têm ao alcance.

Não têm coragem, não há quem avance.

Nascem e morrem na penumbra do dia,

cansados, aguardam o futuro de alma vazia.

O suspiro é um desabafo, não serve para nada.

Mas, ouve-se um grito ao romper da madrugada!

Ecoa ao longe, está sem rumo, perde-se no espaço.

O tempo sumiu-se, não resta um pedaço.

Que fazer da voz que teima em calar-se?

Junta-se à força que está a esgotar-se.

Hoje, igual a ontem e amanhã também.

Foi sempre assim, um dilema sem fim.

Fantasia-se, comenta-se qualquer situação!

Dizem as gentes: é um mundo de ilusão.

Falam de todos, ninguém tem razão.

Na noite que dorme, a coruja canta,

um mau presságio logo se levanta.

Alguém morreu… que grande desgraça!

Toda a aldeia corre, não há que se faça.

Quando o dia amanhece, tudo se esquece.

Começa o corropio, ao sol ou ao frio,

não há tempo a perder, o corpo não desvanece.

 

 

Nazaré Cunha

(2008-06-15)

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s