O Museu do Oriente…finalmente!

Pela primeira vez, Portugal tem um museu dedicado à Ásia – o Museu do Oriente. Uma finalidade da Fundação Oriente desde a sua criação: um espaço como testemunha das relações históricas entre Portugal e o continente asiático.

Contudo, a materialização deste importante desígnio não foi coisa fácil, mas um longo caminho de pelo menos 20 anos, com episódios atribuladas e sonhos não concretizados, como o projecto do arquitecto Ieoh Ming Pei ou a localização na Praça de Espanha. Entretanto, com o acordo de cedência com o Estado português, considerou-se que a inauguração viria a ser em Março de 2003 e ainda houve esperanças que fosse em 2007. O facto de um projecto desta envergadura só ter aparecido agora, reflecte um desfasamento da imagem relevante que os portugueses dão ao chamados «Descobrimentos».

Segundo o Presidente da Fundação Oriente, Carlos Monjardino, trata-se de um espaço de «confraternização», no sentido de que, os portugueses que não podem deslocar-se à Ásia poderão conhecer as suas diversas culturas neste espaço. Aliás, aposta na curiosidade dos portugueses relativa a culturas asiáticas pouco conhecidas. E essa curiosidade é patente: após um mês de abertura, já tinha recebido quase 37 mil visitantes, a maioria relativa a exposições. Porém, a qualidade dos equipamentos culturais não pode ser apenas avaliada pela sedução dos números de visitantes, como é apanágio dos media. Por outro lado, o objectivo não pode ser apenas estético mas deverá ser informativo com partilha de conhecimento.

Na cerimónia de inauguração, acompanhado pela presença de outras figuras ilustres da esfera política portuguesa actual, o Presidente da República advogou que o acervo do Museu, é constituído por «testemunhas da formação da globalização mundial levada a cabo pelos portugueses, referindo sua importância no momento actual como «encontro de culturas», incluindo nesse «encontro», não só o passado mas também o presente. Contudo, este tempo presente caracteriza-se por uma conjuntura mundial, na qual China e Índia assumem posições de destaque. Aliás, o casal Pimpaneau (o sinólogo francês Jacques Pimpaneau e Sylvie Pimpaneau, doadores da colecção de arte popular asiática Kwok On) considerou que a arte asiática está na moda, resultante do tema corrente da China e da Índia como novas potências económicas emergentes.[1]

No final do seu discurso, o Presidente da República declarou ainda que «o conhecimento do outro é a melhor forma de afastar os medos, que tantas vezes motivam uma atitude de rejeição em relação aos que são diferentes»[2] Já Edward Said denunciara que, o «Oriente» para a Europa, trata-se de uma das imagens mais investigadas e invocadas do Outro, numa criação sem uma realidade correspondente. Na verdade, não só é de grande relevância a exposição de objectos que recordam um passado, como essa relevância só o é efectivamente, quando complementada pela memória presente do Outro, relativamente a esse passado comum. Desta forma, a memória desse tempo estará um passo mais próximo da verdade histórica, resultante de um empenhamento comum.


[1]Sílvia Souto Cunha, VISÃO, 8 de Maio de 2008, pp. 122 – 126, p. 125.

Susana Borges Correia

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s