No limite do tempo

 

O tempo está no limite e o homem, inquieto, pensa.

Procura uma solução, no seu corpo não existe uma doença

que justifique tal situação.

Pela pequena fresta que lhe resta, olha o estreito caminho

onde, outrora, perdera a sua juventude.

As pedras estão frágeis e desgastadas, tal como a sua saúde.

Mas a intuição não o conduz à realidade, na verdade,

o seu desejo é viver. No mundo que o acolhe é respeitado.

Com o tempo esgotado, esboça um sorriso inocente:

só pede mais um minuto de vida, para adiar a partida

e sentir que ainda é gente.

Das suas atitudes fazem parte defeitos e virtudes;

é o ser humano que predomina.

A dignidade fá-lo permanecer um herói.

Tendo consciência que o corpo, limitado, se destrói

insurge-se contra a regra que o determina.

Do fruto do seu trabalho muitas sementes germinaram.

Partilhou o saber com quantos o escutaram.

Tirou da terra o sustento e guardou no peito o lamento.

Num sentimento de liberdade viveu no seu meio,

sob as regras da comunidade.

 

Nazaré Cunha

(2008-06-30)

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