CRUEZAS DA CRISE

[Este é o meu primeiro texto sério sobre economia]

Diz quem sabe que a Guerra Civil dos E.U.A., ou Guerra da Secessão, 1861-65, aconteceu porque o Norte, industrializado, queria mais consumidores para os seus produtos. O fim da escravatura, a Sul, originaria salários para trabalhadores livres, o que significaria mais uns milhões de consumidores de produtos do Norte. À parte o quase-milhão de potenciais consumidores mortos durante a guerra, a operação terá resultado.

Não sei se esta teoria, a da guerra civil ter acontecido por razões económicas, é marxista, mas, pelo que nos é dado a observar hoje, não nos podemos fiar que ideais de igualdade e liberdade dos negros terão sido os únicos motivos para o “secessório” e sangrento acontecimento.

A verdade é que se desatássemos a dar de comer e a tirar gente da pobreza, como, por exemplo, a um continente quase inteiro, como o africano, a situação poderia ficar complicada, os preços subiriam em flecha e alguns bens escasseariam mesmo. Aliás, e segundo previu Al Gore, e também segundo afirmou ontem uma tia minha, a escalada de preços, a crise dos combustíveis e dos cereais, entre outras coisas, estará a ser provocada, também, pelo crescente aumento do consumo nos países emergentes. Agora na china já não comem só o shop-suey e o xau-xau, nem andam só de bicicleta. A China, e mais uns quantos países, contam agora com consumidores mais exigentes, com mais poder de compra, ávidos, julga-se, do que nunca tiveram. Muitos bens estão a chegar agora a mais locais, e, provavelmente, em menor quantidade, ou/e mais caros, aos que até há pouco tempo detinham o seu consumo exclusivo.

A pensar desta maneira, imaginemos agora um cenário:
imaginemos que os poderosos tinham um ataque colectivo de loucura (porque não vislumbro uma outro motivo para que o que direi a seguir pudesse acontecer) e desatavam a alimentar o continente africano, a proporcionar condições de vida razoáveis aos seus habitantes, a fazer deles uns consumidores mais assíduos, digamos assim (e isto contrariando a regra “não lhe dês um peixe, antes ensina-o a pescar”). O que aconteceria?
Aconteceria que todos um pouco pagaríamos a factura e, segundo Al Gore diz em relação à China, em pouco tempo se esgotariam alguns bens essenciais.
Mas repare-se: A China, como a Índia ou o Brasil, produzem e não é pouco. Em Árica o que se produz? Além disso os primeiros são verdadeiramente independentes: podem reunir, combinar, acordar, avançar e recuar, investir, porque quem manda na China são os chineses, na Índia são os indianos e no Brasil, mal ou bem, penso serem os brasileiros. Em África toda a gente manda, menos os africanos.
Dá a ideia que interessa que África fique como está, que assim ainda vou comprando as Dodot do Guilherme a 17 euros em vez de 25. Agora estes chineses…como vamos descalçar esta bota? Que se saiba continuam a multiplicar-se e não tarda muito engordarão e começarão a ficar carecas…
A brincar a brincar, o assunto é muito sério.

Algumas conclusões:

1º Perante esta crise, África -ou melhor, os seus habitantes negros- vai ter que esperar ainda mais. A cor da pele não ajuda em nada.

2º Se os emergentes continuarem a emergir ou se acham soluções ou alguém vai submergir.

3º Poderemos vir a contar com problemas culturais, raciais, ainda mais extremados. Além dos habituais politicos e económicos, claro…

Eu, depois de escrever este texto e de o enviar para alguns amigos directamente e através de *Folhas de História*, como que me liberto das responsabilidades e, enquanto vou podendo, vou ao meu frigorífico e escolho entre um queijo fresco, umas tostas com manteiga e fiambre de peru defumado, uma fruta eventualmente, até podendo, na falta de fome, optar por um Baileys ou um descafeínado Nespresso, enquanto que, pra lá do Estreito de Gibraltar, um pobre menino de barriga inchada no colo da mãe chora, doente e esfomeado.

REFLEXÕES FINAIS:

-A “NOSSA” CRISE PODE NÃO SER MAIS DO QUE OUTROS A SAIREM DAS SUAS

-METEMOS UMA MOEDINHA NUM COFRINHO, UMAS ROUPINHAS NUM DEPÓSITO, FAZEMOS RECOLHA DE ALIMENTOS, REZAMOS UNS PAIS-NOSSOS, ATÉ DEPÓSITOSINHOS EM CONTAS, MAS…ESTAREMOS DISPOSTOS A PARTILHAR A CRISE, VERDADEIRAMENTE?

SOLUÇÕES:

NÃO FAÇO IDEIA. EU SÓ FAÇO REFLEXÕES.

PALAVRA FINAL: BULLSH**!

Pedro Araújo

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