Historiografia na Índia Portuguesa

Temos escritores que se sentiram atraídos pelo passado da nossa terra e escreveram no idioma lusíada. Uns se dedicaram a escrever sobre a história da Igreja, outros sobre os acontecimentos políticos, outros ainda a dar retratos de pessoas importantes ou resumos de história de cunho didáctico.

Mencionarei muito concisamente: António Anastásio Bruto da Costa (1828-1911): Nascido em Margão, escreveu “As Revoluções Políticas da Índia Portuguesa do século XIX”, onde pretende ilustrar a lealdade de Goa em relação a Portugal e oferece dados para uma história completa da Índia Portuguesa, como também “Goa sob a Dominação Portuguesa”. Casimiro Cristovam Nazaret (1830-1927), natural de Pangim, foi sacerdote desde 1854 e sócio do Instituto Vasco da Gama (hoje Instituto Menezes Bragança). Como historiador, ele tem a seu crédito “Mitras Lusitanas no Oriente”, em dois grossos volumes: o primeiro se ocupa do Arcebispado de Goa, e o segundo trata dos Superiores das Missões do Norte e do Sul da Índia e das dioceses de Cranganor, Cochim, Meliapor, Malaca, Macau e Moçambique desde 1501 a 30 de junho de 1878. Ele escreveu também “Clero de Goa, seus serviços a Religião e a Nação”, onde dá também em um capítulo catálogo, embora incompleto, de clérigos goeses que contribuiram para o progresso das letras no país. Filipe Néri Tomé Caetano do Rosário e Souza (1840-1897), de Nachinolá, em Bardês, abraçou a carreira sacerdotal, exerceu magistério no Liceu de Nova-Goa e leccionou a língua Latina. Escreveu “Notícia histórica e legislação da Instrução primária, secundária e superior na Índia Portuguesa”. Caetano Francisco de Sousa (1860-1898), de Mapuçá, seguiu o múnus clerical, foi missionário no Norte e aproveitando os lazeres no meio do seu ministério deu a lume uma obra histórica: “Instituições Portuguesas de Educação e Instrução no Oriente”. José António Ismael Gracias (1857-1959), de Loutolim, de Salsete, no seu trabalho burocrático, dedicou-se com paixão a pesquisas históricas e nos legou: “A Imprensa em Goa nos Séculos XVI, VII e XVIII”, “Vasco da Gama e o descobrimento da Índia”, “O Bispo de Halicarnasso”, “Uma Dona Portuguesa na Corte do Grão Mogol”, “Índia em 1623 ou 1624—Excerptos das memórias do Viajante Pietro della Valle”, “Bocage na Índia”. Foi também Director durante anos do “Oriente Português”, revista fundada pelo poeta Dr.Alberto Osório de Castro, e no qual registou numerosos artigos de arqueologia. Cristovam Aires, que foi poeta, também escreveu “História, organização e política do exército português”, em vinte volumes; “História da Cavalaria Portuguesa”, em quatro volumes e a valiosa contribuição “para a história da Academia das Ciências”, da qual agremiação foi sócio e, por muitos anos, Secretário. Frederico Diniz de Aiala, nasceu em Pangim mas viveu quase toda a vida na metrópole. Deixou “Goa Antiga e Moderna”. Escreveu com arte e português sem jaça. Traçou a cores palpitantes o retrato moral de S.Francisco Xavier. Francisco Xavier Expectação Barreto: Nasceu em Velção e fez-se sacerdote. Foi professor durante anos no Seminário de Damão. Deixou “Quadros Biográficos dos Padres Ilustres de Goa” em dois tomos. Manuel José Gabriel Saldanha (1853-1930): Sacerdote e Professor do Liceu de Nova-Goa, foi Autor de “História de Goa” em dois volumes. É uma obra bem pesquisada e exarada.

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s