FH em entrevista com Dr. Jorge Indíveri

 

FH: Dr. Jorge Indíveri, agradecemos a sua disponibilidade para falar com as Folhas de História.  Como foi a sua formação profissional?

JI: Egressei da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Córdoba, de  Argentina, em 1974, com o título académico de Médico Cirurgião. Minha área de formação é a Clínica Médica (Generalista), tendo tido, em quanto estudante, treino bastante intensivo en Anestesiologia, que na altura ainda não era especialidade.

FH: Porque deixou Argentina e veio fixar-se em Portugal?

JI: O desejo de viajar pela Europa, aliás como qualquer argentino que se preze, conhecer outras culturas e receber mais preparação técnica além da que me tinha sido proporcionada, estão na base de minha saida do pais de orígem, aliados à situação sócio-politica irrespirable que a Argentina vivia nesses, felizmente, idos anos. Foi importante também o convite que me foi dirigido pelo meu tio-avô, o Dr. Indíveri Colucci, nessa altura um célebre naturista radicado havia longos anos em Portugal.

Assim acabei por ficar integrado no prestigioso Instituto Dr. Indíveri Colucci, em Paço de Arcos, onde permaneci durante 6 ou 7 anos e tendo chegado à Direcção Clínica do estabelecimento, o que para mim foi um privilégio. Com o Dr. Colluci entrei num mundo terapéutico novo para mim, baseado apenas (e nada menos!) na trofoterapia e na aplicação de agentes físicos naturais e sem o recurso a drogas ou medicamentos convencionais de nenhuma espécie, tudo aliado a cuidados higiénicos de ordem geral. Os resultados eram, por vezes, incríveis à luz da medicina convencional ou alopática. Guardo respeito pela figura do meu tio, o Dr. Colluci, quanto ao seu brio profissional , a entrega absoluta ao seu doente e ao facto de defender as suas convicções com mão de ferro, num ambiente que era, pelo menos, hostil.

 FH: Como tem sido a sua experiência profissional durante todos estes anos?

JI: Há 34 anos, tantos quantos estou radicado neste Pais, que me dedico, em termos profissionais é claro, ao exercício da medicina natural na sua vertente mais ortodoxa, mas servindo-me, o que significa uma vantagem, da minha formação clássica.

Ao longo dos anos fui modernizando alguns conceitos e técnicas terapêuticas, mas sempre seguindo os princípios de uma alimentação metódica, atóxica e equilibrada e, fundamentalmente, personalizada, uma vez que – e isto é velho como o mundo – – não há dois doentes iguais. Alias, penso, como tantos outros, que mais do que doenças, há doentes. Não me fico pela facilidade de pretender resolver os problemas com produtos (“medicamentos”) de ervanária como único recurso terapêutico, como se eles fossem, “per se” panaceia que cura todos os males; nalguns casos poderão ser, admito, um complemento, mas nunca o factor principal terapêutico. Tenho conseguido aplicando com rigor estes critérios ,resultados altamente satisfatórios, especialmente nos casos crónicos para os quais o nosso sistema ocidental de saúde está, sem dúvida, menos apetrechado. A cura radica, basilarmente na alimentação, por muito que estes rigores afastem doentes do consultório…

Outros há que praticam a Naturopatia plena e honestamente convencidos que a “formação” que lhes foi ministrada em cursos – em muitos dos casos – de mais do que duvidosa eficiência, é suficiente para exercer a profissão. Por outra parte, não deve esquecer quem pratique alguma das artes de curar, que ninguem é capaz de resolver todos os casos. É imperioso saber derivar para quem saiba mais do que nós.

FH: O que falta fazer na prática de naturopatia?

 JI: Falta muito, sem dúvida, mas sobretudo, a regulamentação do excercício da profissão: que seja Naturoterapeuta quem possa e não apenas quem queira, como mais ou menos acontece até hoje.

Assim será possível dignificar a profissão e defender ao utente da actividade dos aventureiros, inescrupulosos e impreparados.

 

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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