O Cântico da Vida na Poesia Tagoreana

  O autor desta obra, Froilano de Melo, foi Coronel-Médico, Director da Escola Médica de Nova Goa, Director dos Serviços de Saúde da Índia Portuguesa e Deputado de Nação. Era um grande admirador do Prémio Nobel (Literatura) da Índia, Rabindranath Tagore.   Froilano de Melo entrou no Parlamento português como independente (1946-1949), e foi por esta razão marginalizado pelo Dr. António Oliveira Salazar.  O deputado nunca faltou no respeito ao Presidente do Conselho dos Ministros, mas teve a coragem de declamar no Parlamento acerca  da incompatibilidade do Acto Colonial com a dignidade dos goeses. Dr. Froilano de Melo optou por auto-exílio para o Brasil depois de ter acabado o seu termo de representação na Assembleia da República. Os deputados goeses que lhe seguiram entraram mudos e saíram calados! Foi recebido de braços abertos no Brasil onde continuou as suas pesquisas em bacteriologia na Universidade de São Paulo.  No mês de Abril último a Universidade de Coimbra iniciou uma série de conferências anuais em nome do seu filho Vitor de Melo, ainda vivo, mas muito doente. É uma das maiores autoridades internacionais sobre a engenharia e geotécnica dos solos. O seu filho mais velho, Alfredo F. de Mello, publicou no ano passado as suas memórias, num livro intitulado *From Goa to Patagonia*, para o qual tive a honra de escrever um Prefácio. Tinha-se inscrito para o curso de medicina na Universidade do Porto, mas no auge da Segunda Guerra foi aliciado pelos ingleses para se alistar na RAF como paraquedista e foi lançado atrás das linhas avançadas das forças alemãs de ocupação em Maasbracht (Países Baixos). Feito prisioneiro em Luedensheid, foi liberto pelo Terceiro Exército Americano em 18 de Abril. Desiludido com o racionamento da comida no Reino Unido, decidiu voltar à Lisboa. Após um breve período de recuperação aceitou o convite de um familiar materno que tinha negócios em Buenos Aires. Estabeleceu negócio próprio em Uruguay, e  chegou a ser vice-presidente da Câmara de Comércio de Uruguay.

N’ O Cântico da Vida na Poesia Tagoreana (Porto, 1946, pp. 139),  que teremos ocasião de apresentar com mais detalhes,  podemos hoje ler uma paráfrase acerca do desprezo da vida material numa  ode de Tagore:

“Na margem do Jumna disse o discipulo: Mestre, aceitai o meu pobre presente, tão indigno de vós.

“E dizendo-o, ofertou ao Mestre duas pulseiras de ouro, cravejadas de pedras preciosas.

“Uma delas escorregou das mãos e foi enterrar-se na vasa do rio!

“Mergulhou o discipulo na água para a buscar; baldados porém foram os seus esforços.

“Cansado, com a água a escorrer-lhe do corpo, a tiritar de frio, o discipulo murmurou:

“Talvez, ainda a possa encontrar, se me puderdes mostrar, Senhor, o local onde caiu.

“O mestre, pegando na outra pulseira, lançou-a à agua, dizendo: foi alí!

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