Adeus amigo Eduardo Judas Barros

E não é que ele tava parecido com o Lula?

Não podemos deixar passar sem um registo nas Folhas de História a triste notícia que acabamos de receber da Universidade Estadual de Londrina, onde faleceu ontem com 64 anos de idade, o nosso conterrâneo goês, Prof. Doutor Eduardo Judas Barros. Nascido em Velim (Salcete, Goa) em 1944, cursou filosofia e teologia nos seminários da arquidiocese de Goa, continuou os estudos esclesiáticos no Ateneu Pontificio em Poona (India), fez uma pós-graduação em jornalismo na Universidade de Poona, adquriu o grau de Mestrado em Antropologia Social na Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Delhi, e acabou o doutoramento na Universidade de São Paulo, no Brasil sob a orientação do Prof. Doutor Augusto Mourão.

Eduardo Judas Barros foi meu colega sénior no seminário maior da arquidiocese de Goa. Juntamente com os estudos de teologia, ele colaborava na redacção de “A Vida”,  um dos dois últimos diários sobreviventes em Goa e redigidos em português após 1961. Este diário de longa data  deixou de viver com a saída de Eduardo Judas Barros de Goa!  Eduardo Judas Barros foi também um dos protagonistas na luta pelo reconhecimento de Konkani como língua oficial de Goa. Editou a primeira edição de GOVA ALMANAK, no qual colaborei com textos e cartoons de um desenhador amador!

Eduardo Judas Barros veio parar em minha casa em Sacavém em 1994 para me visitar! Soubera que eu tinha transferido a minha residência para Portugal. Vi-o mais uma vez dez anos a seguir. Estava aqui para falar com Prof. Doutor Boaventura Sousa Santos. Queria avançar com um pós-doutoramento sob a orientação do sociólogo de Coimbra. No entanto Eduardo Judas Barros manteve acesa a sua campanha pela defesa de multiculturalidade afro-asiática no Brasil. Estabelecera na Londrina um Centro de Estudos Afro-Asiáticos, vocacionado para estudos culturais e intercâmbio cultural. Houve quem designasse o Centro como Centro de Estudos Afrodisíacos, mas isto com muito carinho pela obra de Eduardo Judas Barros que sabia cativar os seus colaboradores e não só!

Sei que na Universidade Lusófona ele teve um grande amigo na pessoa do Prof. Doutor Fernando Santos Neves, o actual Reitor da Universidade Lusófona do Porto, e Presidente do Conselho Geral do Grupo Lusófona.

Deixo aqui para a leitura dos visitantes de Folhas de História um escrito valioso do nosso amigo falecido em prol da Lusofonia na Índia: http://tinyurl.com/5tkuly

As Folhas de História desejam ao Prof. Doutor Eduardo Judas Barros um repouso final e  uma perpetuação entre nós do seu espírito de dedicação pela amizade indo-luso-áfrico-brasileira ! Nossos sentidos pêsames à viuva, Naísa Rosa Silva de Barros, ao filho Rajiv e à filha nascitura que o pai Eduardo ansiava para acolher neste mundo e planeara aposentar-se para acompanhá-la no seu crescimento. Foram outros os planos de Deus!

Teotónio R. de Souza

2 pensamentos sobre “Adeus amigo Eduardo Judas Barros

  1. Fiquei deveras chocado com a triste notícia do falecimento do Professor Doutor Eduardo Judas Barros. Cheguei a conhecê-lo no Seminário de Saligão-Pilerne, em Goa, onde estudámos humanidades. Mais tarde, cheguei a ver o seu entusiasmo e dinamismo no Seminário Patriarcal de Rachol, onde editava o Gova Almanaque. Cultivava o português como também o concani. Era bom escritor e orador. Colaborou com o Editor de “A Vida”, em Margão, e trabalhou pela juventude de Margão. Organizava também grupos de mandó apesar de não ter sido dotado pela natureza de dons de canto e música. Admirei sempre o seu dinamismo e optimismo. Encontrei-me mais tarde com ele nas viagens. Troquei mensagens pela Internet e li acerca do trabalho que ele fazia no Brasil. Ùltimamente eu me encontrei com ele em Goa por ocasião do casamento dos meus primos que são também seus parentes. Ele estava satisfeito em encontrar os seus amigos da mocidade. Levei-o de carro de Parrá a Calangute, ao hotel onde ele passava uns dias de férias. Tive boa conversa. Estive contente em saber que o nosso Eduardo trabalhava bem na Universidade Estadual de Londrina e viajava muito com seus planos e sonhos a executar. Mas não esperava que tão cedo chegaria o seu fim.

    Dr.Ivo da C. e Sousa

  2. Agradeço ao Sr. Prof. Doutor Teotónio de Souza a comunicação da infausta notícia e comunico-lhe (a Ele e a quem Ele julgar pertinente) toda a minha “simpatia”.

    O Reitor

    Prof. Doutor Fernando dos Santos Neves

    Com os melhores cumprimentos,

    Elsa Taveira
    Secretariado da Reitoria/Administração
    Universidade Lusófona do Porto

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