IAEA aprova o acordo nuclear da Índia com os EUA

O embaixador americano Gregory L. Schulte com o representante indiano para os assuntos nucleares Anil Kakodkar (de naturalidade goesa)  na reunião dos directores da IAEA (35 países-membros) em Vienna para a discussão e aprovação dos planos indianos para produção de energia nuclear. O acordo foi aprovado com forte apoio de 25 países-membros, e consentimento reluctante ou tácito dos outros. Das actuais 22 centrais nucleares da Índia, somente 14 ficarão sob a supervisão da IAEA e somente estas poderão utilizar a tecnologia e o material nuclear fornecido por GSN. A Índia não está disposta a abrir as outras centrais à inspecção internacional porque considera-as necessárias para salvaguardar as opções militares estratégicas para defesa da sua soberania.

É pela primeira vez que uma excepção é feita a um país como Índia que não é signatário do TNP. É também um favor que a comunidade internacional faz a si própria. Consumindo menor energia tradicional e concorrendo menos no mercado dos combustíveis, a Índia poderá assim contribuir para o equilibrio dos preços, bem como para o ambiente menos poluído. A posição geo-estratégica da India, bem como a sua estabilidade política e relações internacionais acima de qualquer suspeita, contribuiram para os EUA e a União Europeia favorecerem o presente acordo nuclear.  Não podemos esquecer que o fornecimento da tecnologia nuclear e urâneo enriquecido é também grande negócio para alguns países que compõem o grupo GSN (Nuclear Suppliers Group/ Grupo de Supridores Nucleares de 45 países-membros). A decisão do GSN é crucial para a operacionalidade do acordo, e esta só será conhecida depois da sua reunião em 21 de Agosto. Poderá haver objecções políticas de alguns dos seus membros, como é o caso da Austrália e alguns países simpatizantes do Paquistão. Mas como no caso da reunião acima referida da IAEA, o forte apoio da maioria poderá deixar o acordo avançar.

A resistência mais rija ao governo indiano até agora foi a interna, dos seus parceiros da esquerda na coligação, e dos fundamentalistas na oposição. O governo saiu ileso da moção de confiança com pouco mais de uma dezena de votos!

Os pormenores do acordo e as suas implicações podem ser lidas clicando aqui.

Teotónio R. de Souza

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