Formação e vida

É inquietante a fraca adesão na sociedade portuguesa ao estudo de História, tal como se  reflecte ao nível de candidaturas nas Universidades, apesar de o Estado ter aberto o Ensino Superior para maiores de 23 anos, sem terem necessidade de formação secundária completa. Este desinteresse ao nível nacional parece favorecer uma continuação dos mitos e ilusões, com pouca capacidade crítica de apreciar o nosso passado, com os seus sucessos e múltiplos fracassos. Surgirão em breve gerações sem valores culturais próprios, ou mais provavelmente, com valores que privilegiam o bem-estar material e interesses de curto prazo a qualquer custo e sem respeito pela dignidade e direitos dos co-cidadãos.

No meu caso, sou uma jovem à beira de completar seis décadas de vida e encontro-me prestes a iniciar o 3º ano do curso de História, na Universidade Lusófona.

Devo confessar que sinto muito orgulho do grupo que integro, do qual fazem parte vários alunos muito mais jovens do que eu. Juntos, partilhamos ideias e analisamos experiências de vida.

Vários foram os motivos que me fizeram chegar até aqui. Sem grande formação específica e após um longo percurso de vida, preenchido com várias ocupações, sendo uma delas a de administrativa na Câmara Municipal de Lisboa, durante 26 anos, funções que ainda desempenho actualmente. Porém, não me sentindo realizada com a minha formação escolar, certificada, apenas, com o 9º ano de escolaridade, adquirido há pouco mais de três anos, optei por dar continuidade aos meus estudos, para participar e acompanhar a evolução das sociedades actuais.

Presentemente, encontro-me a frequentar o último ano (1º ciclo de Bolonha, curso de História), onde muitos dos meus objectivos estão prestes a concretizar-se.

Após a conclusão do curso, para além de poder usufruir de uma reclassificação profissional na Autarquia onde exerço funções, posso beneficiar de um vasto leque de conhecimentos, adquiridos durante a minha formação Universitária.

Formação gera informação e vice-versa, permitindo ampliar continuamente os pilares do conhecimento. Se a vida não tomar outro rumo, o projecto manter-se-á até à concretização do sonho, ou seja, escrever algumas obras para satisfação pessoal, principalmente poesia.

É a persistência que nos move e o tempo que nos conduz; sem a persistente determinação que nos assiste seria impossível desbravar caminhos que, por vezes, estão tão enredados que mal conseguimos avançar; sem o tempo, o caminho terminaria aqui mesmo, e o meu sonho não passaria de um projecto inútil.

História e Cultura

Da montanha correm os rios para o mar.

Também o tempo corre para qualquer lugar…

Compete-nos conduzi-lo ao objectivo pretendido!

À obra, o artista, ajusta o sonho pré-definido.

Exibir o modelo perfeito, podia ser o ideal!

Contudo, somos humanos, por condição natural.

Crescer no corpo e na mente, é normal e pertinente;

O fruto de cada semente contém um sabor diferente.

Passo a passo constrói-se o caminho adequado,

a meta exige esforço e um espaço actualizado.

Ser diferente é ser gente em qualquer momento!

Os valores do passado são a honra do presente.

Pode o tema ser igual e o conceito diferente;

uma História original não se limita no tempo.

Nazaré Cunha (2008-08-08)

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