Nova Ordem Mundial: O fim do interlúdio unilateral

Com o conflito entre a Georgia e a Rússia parece ter chegado o momento de vermos o fim do unilateralismo americano nas relações internacionais iniciado com a queda do muro de Berlim e o desmembramento da antiga União Soviética. No fim do seu mandato coxo, o Presidente G.W. Bush não parece estar com capacidade dos tempos das invasões do Afeganistão e do Iraque! Nem os seus aliados da UE podem pensar que estão a enfrentar a Sérbia! A Rússia alimentada com as suas novas energias de que depende a Europa, está outra vez com forças para marcar a sua presença e defender as suas fronteiras contra o alegado cerco da OTAN. Perguntava ontem o embaixador da Rússia para as Nações Unidas, e não sem alguma razão, quantos devem ser mortos para se definir o acto como genocídio! Estava ele a referir aos vários milhares de mortos das pequenas minorias em Ossetia do Sul e em Abkhazia nas operações das forças armadas da Georgia. Pareceu sugerir uma comparação com as acusações da UE contra a Sérvia.

O jovem presidente da Georgia, Mikhaïl Saakachvili, formado nos EUA e na Europa, calculou mal os retornos da sua participação na pacificação do Iraque com 2000 soldados e com demonstração de interesse em oferecer bases militars a OTAN no seu território, na fronteira da Rússia.  Estamos para ver se a “comunidade internacional” (é assim que os EUA e a UE se definem, independentemente da discordância de todos os restantes 150 e mais países que constituem as nações unidas!) sabe reconhecer os direitos humanos das populações e países que não são seus aliados. Serão capazes de discutir com objectividade a violência das autoridades da Georgia contra os autonomistas de Ossetia e Abkhazia e levá-las perante o tribunal criminal internacional em Haia se for o caso? Já alguns chefes de Estados ocidentais deviam estar em Haia há muito tempo, mas os donos do poder nunca vão denunciar-se a si próprios. Preferem  o senhor do Sudão para ser justiçado! É uma ordem mundial que há muito falhou na sua neutralidade.

Para os EUA e UE, a Georgia e a Ucrânia são aliados estratégicos e economicamente importantes. O grande óleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan que fornece petróleo da Turquia e da Ásia Central para a Europa e o Ocidente em geral, passa pelas proximidades da Ossétia do Sul. É o motivo principal da contenda.  Não é a soberania de Georgia ou os interesses autonomistas dos povos da Ossétia ou da Abkhazia que vão decidir o futuro deste conflito.

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