Gestão criativa de fracassos!

A vida de Gandhi estava cheia de muitos momentos de fracassos criativos. Na nossa sociedade frequentemente damos demasiado valor à ideia de sucesso.  As mentes mais profundas foram forjadas pelo sofrimento e aparentes fracassos.  Os seus fracassos eram sempre magníficos — é por isso que hoje lembramos dele mais que qualquer um dos seus contemporâneos. Durante os seus 21 anos na África do Sul era como se fosse um exilado da sua sua terra e da sua comunidade. Talvez foi por isso que se tornou um líder político diferente dos outros na Índia. Preocupou-se mais pelos desfavorecidos e marginalizados da sociedade, os intocáveis, as mulheres, os mais vulneráveis. Mais do que qualquer outro indivíduo percebeu a força da alma humana, a força divina no atman com capacidade de se libertar com sacrifício voluntário pelos outros. Aprendeu com outros, com as leituras do Novo Testamento, das obras de Ruskin, Tolstoy, Thoreau, e outros. Mas bebeu mais ainda da profundidade do seu próprio poço cultural, da Bhagvad Gita. Na África do Sul ganhou amigos de todas as etnias e religiões: judeus, cristãos, muçulmanos, persas, hindus, e obviamente africanos nativos.

Tudo mudou na noite de 7 de Junho de 1893, quando foi expulso de uma carruagem de primeira classe enquanto viajava de Durban para Pretória, vestido como um advogado de sucesso. Ninguém nesse momento poderia ter imaginao as consequências duradouras do acontecimento. Dentro de 50 anos o maior império do mundo foi desmantelado, e a discriminação racial foi diagnosticada como uma doença social. Tudo devido à atitude de Gandhi perante o aparente fracasso! Perante a situação de humilhação Gandhi ponderou se devia voltar para  a Índia ou se devia levantar a sua voz contra esse acto grotesco. Decidiu ficar e protestar. Conhecemos como o fez, e o resto é uma história incrível de transformação do fracasso em sucesso da humanidade. Foram precisos mais cem anos para as estruturas do apartheid ficarem oficalmente desmontadas. Provavelmente, serão necessários mais cem anos para as feridas ficarem saradas e as cicatrizes desaparecerem. A vitória de não-violência é mais duradoura, mas também  leva mais tempo do que a violência para atingir o sucesso.

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