Trilhos e sarilhos


 

Meninos sem rumo, filhos da inércia e da ilusão.

Hoje encontrei-os, pedindo esmola, junto à estação.

São tão esquivos estes meninos ao fugir do meu olhar!

Os seus olhos estão magoados de tanto chorar.

Quem não gostaria de os poder ajudar!…

 

Dúbias palavras saem das suas bocas desajeitadas;

Nos rostos pequenos exibem cicatrizes mal curadas.

Têm fome… procuram comida em qualquer lugar,

expondo os corpos franzinos, submetem-se a pagar.

Juntam a noite com o dia, não perdem tempo a sonhar.

 

Inventam histórias em troca de vagas promessas,

perdem os passos pelas avenidas, ruas e travessas.

Encontram um amigo em qualquer esquina,

simulam juras, implorando a ajuda divina.

Desconhecem as leis do país que os domina.

 

Com os pés descalços afagam as pedras da calçada;

Cansados, adormecem, sem a carícia desejada.

Não vão à escola, ignoram o pai, a mãe, o irmão…

Indiferentes ao sucesso aceitam a condição.

Num conceito social surge a regra de exclusão.

Nazaré Cunha

(16-08-2008)

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