O pensamento e a súplica

Do topo da mais alta montanha olho em redor… o Mundo adormeceu!

Os meninos não choram, penso: é um pensamento meu.

Não há ódio, nem guerra, os homens estão no campo a trabalhar a terra.

O velhinho reza, o poeta sonha, a ciência avança, viver não cansa…

Porém, se ficar aqui parada não estou a produzir nada;

Inquieta, a minha alma não descansa.

Pela porta entreaberta, admiro o esplendor desta luz que tanto almejo!

Numa hora incerta, perante o ensejo, logro deste espaço que ainda vejo.

Corro pelos campos cheios de flores perfilhando os seus odores;

Quanto mais avanço mais amo a míngua de tempo que alcanço.

É bom sentir o sol que me aquece ao amanhecer!…

É bom que saiba como preciso de o ver!

Terra minha que aos meus olhos és rainha,

que posso eu fazer para te ter?

Acarinho as lágrimas que caem no meu regaço,

dou-te o meu saber, a dor e o cansaço!…

Senhora do meu querer, deixa-me viver no teu espaço.

Canto para que saibas que ainda existo,

subo à mais alta montanha e não desisto.

Registo o meu lamento no rasto do teu odor…

Escuta, mãe minha: Ainda te quero com amor!

 

Nazaré Cunha

(2008-08-30)

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