Ganesha – O Senhor dos obstáculos [Vignyaneshwara]

  Ganesha é um deus do hinduísmo, filho do deus Shiva e da sua consorte Parvati. É um deus com  cabeça de elefante. Está disponível a versão portuguesa de Mitos e Símbolos na Arte e Civilização Indianas, da autoria de Heinrich Zimmer (Lisboa, Assírio e Alvim, 1996) para nos ajudar a compreender a origem desta divindade e a sua aparência estranha. Celebra-se a sua festa na época da colheita de arroz no fim das monções, em meados de Setembro. É um deus que garante boa colheita. É deus barrigudo, representando fartura. Distribuem-se guloseimas nesta altura, e por esta razão, é um deus muito querido das crianças. As celebrações populares desta divindade foram aproveitadas para comícios políticos por Bal Gangadhar Tilak (foi deportado pelos ingleses durante alguns anos para Mandalay, em Birmânia) para embaraçar os ingleses durante a luta da Índia pela independência. Os ingleses não se atreviam a banir as celebrações religiosas populares.

Todos os deuses indianos têm animais para seus veículos ou montadas. É como os políticos de hoje com os seus BMWs! Deus Ganesha monta um rato, simbolizando promessa de comida suficiente. Não se ouviu de um rato que morresse de fome! Foi esta a razão que levou o Hotel Tiara Park Atlantic (antigo Meridien) de Lisboa a dedicar um dos seus restaurantes a deus Ganesha. Deus Ganesha acolhe os clientes à entrada do Bar Ganesha. Basta entrar no Hotel, situado na Rua Castilho, e olhar para o lado direito! Este Ganesha (uma peça rara dos antiquários) viajou comigo da sua terra natal até Lisboa.

O deus Ganesha é polivalente, como aliás são quase todos os  deuses indianos com mais de dois braços. Entre as suas valências são celebradas o patrocínio aos escritores. Atribui-se ao Ganesha o ter escrito os Vedas revelados por Deus aos rishis. É prática corrente na Índia iniciar aulas ou qualquer projecto académico com a invocação: OM GANESHA NAMAHA.  Ganesha é também considerado padroeiro dos militares e chefes dos estados. Daí ele ser conhecido também como Ganapati. Na Índia antiga, ou pelo menos após o aparecimento do Budismo, os Estados estavam organizados em Ganas, que os historiadores modernos dizem ter funcionado como repúblicas, já naqueles tempos. Foi esta comparação que levou os políticos indianos a proclamar a Índia independente como BHARAT GANARAJYA [भारत गणराज्य] ou a República de Bharat (Bharat é segundo o poema épico Mahabharat o rei fundador da Índia).

Para concluir, é um deus que ajuda nas dificuldades e a superar obstáculos. É invocado antes dos exames ou outras situações difíceis de enfrentar. O deus-elefante não vê obstáculos na floresta. Abre caminho e avança! No mundo globalizado e multicultural, podia ser um deus para invocar em Portugal nos tempos que vivemos?!

Teotónio R. de Souza

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