O 11/9 que tornou possível o 6/9 para a Índia

VIENA, 6 de Set. – O grupo de fornecedores nucleares, que controla a exportação e a venda de tecnologias nucleares no mundo, validou neste sábado uma proposta americana que suspende o embargo sobre o comércio com a Índia, que já durava 34 anos, indicou a delegação austríaca.

“Depois de muitas negociações, o Grupo de fornecedores nucleares (NSG) adoptou hoje uma excepção para as exportações nucleares para a Índia”, indicou o ministério austríaco dos Assuntos Estrangeiros em um comunicado.

 O presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, comemoraram neste sábado a “conquista histórica” da aprovação deste acordo de cooperação nuclear civil entre os dois países, indicou a Casa Branca.

 “Os dois líderes comemoraram o consenso obtido na reunião do Grupo de Fornecedores Nucleares em Viena e manifestaram sua apreciação pelos esforços feitos lá para avançar na cooperação nuclear civil entre Estados Unidos e Índia”, disse o porta-voz Gordon Johndroe após um telefonema entre Bush e Singh.

 Logo em seguida, Condoleezza Rice comemorou o acordo, considerando-o sinal de um avanço importante.

 “Eu quero dizer o quanto estou feliz com a conclusão do NSG (grupo de fornecedores nucleares)”, disse, no avião de Túnis para Argel.

 “É realmente um grande passo em termos de não-proliferação”, acrescentou.

 Após dois dias de discussões infrutíferas, o acordo de consenso foi concluído nos 90 minutos de uma reunião suplementar na manhã deste sábado, quando a Áustria, um dos últimos Estados hostis à proposta americana, obteve um comprometimento formal da Índia com a não-proliferação, mais uma promessa de não realizar testes nucleares.

 A reunião deste grupo de 45 países foi interrompida por volta da meia-noite deste sábado com a retirada da delegação chinesa que pedia, como a Áustria, a Irlanda e a Nova Zelândia, um comprometimento claro de Nova Délhi de não realizar testes nucleares.

 “Este é um dia histórico para o país”, comemorou Digvijay Singh, um dos responsáveis do partido do Congresso, no poder na Índia, ao canal de televisão indiano NDTV.

 “O mundo reconheceu a credibilidade do país“, acrescentou, destacando que o acordo permite avançar na redução da “diferença entre oferta de energia e demanda no país”.

 “É um momento histórico para o NSG, para a Índia, para as relações dos EUA com a Índia, na verdade para as relações da Índia com o resto do mundo”, declarou à imprensa em Viena o subsecretário de Estado americano encarregado do controle dos armamentos, John Rood.

 O acordo do NSG era indispensável para que o Congresso americano ratifique o acordo de cooperação no nuclear civil, assinado com a Índia em 2005. Ele pode ser ratificado este ano antes do fim do mandato do presidente George W. Bush.

 A Índia, que não é assinante do Tratado de Não-proliferação (TNP) e cujo primeiro teste nuclear remonta a 1974, não podia até então receber nem material, nem tecnologias nucleares estrangeiras, porque as regras do NSG proibiam qualquer comércio com os Estados não assinantes do TNP.

 Segundo Washington, o novo acordo aproximará a Índia dos países assinantes do TNP depois de 34 anos de isolamento e ajudará a combater o aquecimento climático, permitindo a uma das principais economias mundiais de desenvolver uma fonte de energia que polui pouco a atmosfera.

 Os países que criticam o acordo EUA-Índia afirmam, em contrapartida, que ele coloca em risco os esforços internacionais de não-proliferação ao dar a um país não assinante do TNP acesso às tecnologias nucleares americanas.

 As discussões em Viena entravam em três pontos principais: a suspensão de qualquer comércio se a Índia realizar testes nucleares, a interdição da transferência de tecnologias de enriquecimento e de reciclagem de combustível nuclear e um relatório anual sobre o acordo.

 Mas a questão dos testes foi a predominante: a Índia não assinou o tratado de interdição dos testes nucleares.

Durante a reunião, Nova Délhi destacou que se compromete a uma moratória voluntária e unilateral sobre os testes nucleares. Garantiu que manteria a sua política constante e comprovada de equilibrio entre a autonomia estratégica e a responsabilidade internacional.  A Índia tem participado no projecto LHC de CERN inaugurado ontem com 200 cientistas e na produção de várias componentes estratégicas de hardware e software do projecto. A Índia tem colaborado também, de maneira muito discreta mas muito efectiva, na reconstrução das infra-estruturas no Afeganistão. Compreende-se o interesse dos EUA e dos paises directamente envolvidos na guerra contra o terrorismo em ter a Índia ao seu lado.

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