Turismo em Goa

 

TURISMO EM GOA:

O PENSAMENTO E AS PRÁTICAS CONTEMPORÂNEAS

O turismo dos charters começou em Goa nos finais dos anos 80. O território com praias vistosas e atraentes tornou-se a capital do turismo na Índia.  Quase 400,000 turistas visitam Goa todos os anos. Duas décadas mais tarde estamos a ver o completar do círculo. Nota-se um declínio acentuado no número de turistas estrangeiros em Goa.  

O declínio na época alta, ou seja, nos meados de Outubro atingiu  20-25% no número dos turistas.  Ao contrário dos  700 e mais voos  charters anuais, foram confirmados somente 500 para este ano.  As reservas nos hotéis  baixaram para  60%,  uma queda dos  90% até 2002. A economia de Goa é muito dependente do turismo  que lhe traz  Rs 1,500 crores (crore=10 milhões), o que representa quase metade do orçamento total do Estado.  
A recessão global é citada como a razão principal desta queda. No ano passado os voos charter subiram os seus preços por 40% por causa dos preços mais altos de crude.  Os hotéis subiram os seus preços por 30% citando a inflação e custos altos das provisões.  O resultado destes aumentos  sentiram-se na carteira dos turistas que já pagam  agora $1400 para as suas férias de duas semanas (incluindo estadia nos hotéis de 3 estrelas) em comparação com  $850 que pagavam no ano passado.

Fonte:  http://tinyurl.com/4sm7vl

Este cenário negro para o turismo em Goa precisa de ser analisado também  no contexto  dos efeitos de turismo na sociedade local, efeitos esses que funcionaram como bomba-relógio numa sociedade que viveu isolada das grandes mudanças económicas e sociais durante muitos séculos do colonialismo português.   Não se deve esquecer que os primeiros turistas estrangeiros que publicitaram Goa internacionalmente nos anos 60, ou seja, logo após o fim do regime colonial português, foram os “hippies”, que incluíram Goa na sua rota  Katmandu-Goa-Bali.  Podemos até dizer que após a Descoberta de Goa pelos Portugueses, foram os hippies que descobriram Goa para o turismo contemporâneo.  Com os hippies veio a droga, festivais de lua cheia, nudismo e  Goa-trance ou um novo género de música dos e /ou para alucinados! Na sociedade conservadora  de Goa, tanto na sua componente hindu, como  na sociedade católica regimentada pela Igreja,  as famílias sentiram-se confrontadas pelos desafios  que se foram surgindo, não somente devido a novos comportamentos da juventude, mas  pelas novas oportunidades que os grupos sociais até então marginalizados souberam aproveitar como proxenetas  e intermediários de actividades ligadas ao turismo  para conseguirem melhorar as suas condições materiais da vida.

O turismo em Goa nunca foi  atraído somente pelas praias, mas antes pela cultura local ocidentalizada pelo colonialismo português.  Qualquer turista estrangeiro que venha visitar  Índia prefere incluir no seu itinerário alguns dias de “recuperação” em Goa, onde se sente em casa e com ambiente calmo para repousar  após um choque cultural noutras paragens e paisagens do subcontinente indiano.

Mas é esta componente da identidade cultural  de Goa que está a ficar cada vez mais ameaçada pelo aumento do turismo.  O surto descontrolado de construção civil e novas urbanizações está a destruir a estrutura social das aldeias, causando também sérios desequilíbrios ecológicos sem infra-estruturas capazes de sustentar esse tipo de desenvolvimento. Já vemos em Goa agitações violentas todos os dias para resistir este processo acompanhado de nível de criminalidade a que os goeses não estavam habituados. É este o cenário que começa já a assustar e afugentar os turistas.

Para concluir, demasiada dependência no turismo de “destino” não tem ajudado países do terceiro mundo a beneficiarem do turismo durante mais de duas décadas. Muitos destes países-destino estão a pagar caro as consequências do turismo com conflitos sociais gravíssimos. Os turistas encontram outros destinos, mas os países de acolhimento continuam depois a roer os ossos! Ou pior ainda,  a usá-los como armas de arremesso! Regresso à era dos primatas!?

Fonte: Teotónio R. de Souza, “Church card or people’s card in Goan politics?”, Boletim do Instituto Menezes Bragança, n. 166 (1992).

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