Índia: Um estilo próprio e discreto de crescer

De “rainha da diplomacia” a superpotência militar e nuclear

Em apenas 60 anos, a Índia passou de jovem democracia a potência económica, militar e nuclear, que os países mais poderosos querem ter na sua lista de “amigos”.

É impossível ignorar um país como a Índia. Com 1,1 mil milhões de habitantes, é o segundo país mais populoso, e o sétimo na lista dos maiores do mundo. A crescer 8% ao ano (prevendo-se um salto para os 10% nos próximos cinco anos), a economia indiana fará parte do grupo das três maiores já em 2035. Somando a tudo isto o poderio militar (o exército indiano é o terceiro maior do mundo) e o ambicioso programa nuclear de Nova Delhi, percebe-se porque é que potências como Estados Unidos, China, União Europeia e Rússia se esforçam por ter a Índia na sua lista de “amigos”.

Depois de se ter tornado independente do império britânico em 1947, a Índia esforçou-se por  estabelecer relações diplomáticas com vários países. Durante a Guerra Fria, a Índia fundou o Movimento dos Não-Alinhados, já que mantinha boas relações com os Estados Unidos e a União Soviética. Apesar disso, Nova Delhi optou pelos países do bloco soviético, de quem recebia apoio financeiro e militar.

Os problemas começaram por causa de disputas territoriais que deram origem a um conflito  armado com a China (em 1962) e três guerras com o Paquistão (a primeira das quais em 1965), por causa da província dividida de Caxemira. Em 2002, uma quarta guerra esteve prestes a acontecer, com a Índia e o Paquistão a fazerem gala das suas armas nucleares. Em Julho de 2006, as relações azedaram novamente quando um atentado terrorista na parte indiana de Caxemira matou mais de 200 pessoas e forçou Nova Delhi a suspender as negociações.

Desde aí, as relações entre os dois países têm vindo a melhorar significativamente. De tal forma, que no passado fim-de-semana, o ministro indiano dos Negócios Estrangeiros, Pranab Mukherjee, viajou para Islamabad ao encontro do Presidente paquistanês, Pervez Musharraf, e debater várias questões pendentes. Para 13 e 14 de Março, está marcada uma quarta ronda de negociações, apesar de os analistas não preverem cedências de ambas as partes.

As relações da Índia com a China também estão mais pacíficas, apesar de os dois países competirem ferozmente pelo título de “superpotência asiática”. Entretanto, a China está preocupada com a aproximação dos Estados Unidos a Nova Delhi, principalmente depois de George W. Bush ter assinado um acordo  bilateral (a 2 de Março de 2006) que permite à Índia ter acesso a tecnologia nuclear para fins civis. Sobre o “Acordo 123”, como é conhecido, o Governo indiano já fez saber que os EUA não podem impedir a realização de novos ensaios nucleares. Com a Rússia, os laços diplomáticos melhoraram em 2004, com a visita de Vladimir Putin à Índia, para comprar e vender armamento.

Nuclear é o “às na manga” da Índia
Os ensaios nucleares de 1998 deixaram bem claro aquilo que já se sabia desde os primeiros testes levados a cabo em 1974, no deserto do Rajastão: a Índia é uma potência nuclear. Apesar das críticas da comunidade internacional e das sanções militares e económicas, o Governo indiano optou por não assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear e manter a soberania face ao seu programa de energia e armamento nuclear. Além das armas de destruição maciça, a Índia também se orgulha do seu enorme poderio militar. O exército indiano é o terceiro maior do mundo, a seguir aos EUA e à China, com 1,4 milhões de tropas no activo. Por ano, a Índia gasta 2,5% do seu PIB em armamento e outras despesas militares, de acordo com dados de 2005 do ”Factbook” da CIA. A Índia é dos países que mais contribui com capacetes azuis para as missões de paz das Nações Unidas: 55 mil soldados espalhados por 35 missões, em quatro continentes.

“Amigos” e “inimigos” de Nova Delhi
No seu papel de aspirante a superpotência regional (e mundial), a Índia tem tido cada vez mais influência nos assuntos que dominam a agenda da comunidade internacional. O país foi um dos fundadores da Organização das Nações Unidas, a seguir à Segunda Guerra Mundial, e do Movimento dos Países Não Alinhados, em 1961. Hoje, a Índia participa activamente em organizações internacionais, como a OMC e o G20. Na lista dos seus aliados mais próximos estão países como EUA, China, União Europeia, Japão, Irão, Israel, Reino Unido, França, Alemanha, Austrália, México, Brasil,  Associação dos Países do Sudeste Asiático e  União Africana. Com a Rússia, a Índia ainda mantém fortes ligações militares. Com os seus arqui-inimigos – China e Paquistão, com quem travou várias guerras no passado –, a Índia conseguiu melhorar a qualidade das relações diplomáticas, principalmente no que diz respeito aos territórios disputados de Jammu e Caxemira.

Fonte:     http://tinyurl.com/53yzrj

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