O modelo falhado da industrialização e da modernidade

Quanto mais que os ocidentais não queiram ou não gostem de ouvir, vão ter que aceitar que a modernidade ocidental não é um modelo único para toda a humanidade. O Ocidente tem vindo a impor o seu modelo  através das instituições políticas e económicas que controla. Houve vozes discordantes, mas foram tratadas como  incovenientes, e consequentemente marginalizadas, como no caso de A. Gunder Frank que defendeu “Re-Orient“-alização do Eurocentrismo exagerado até ao fim da sua vida! Disponibilizo aqui um dos últimos textos que ele publicou na revista Economic and Political Weekly  (Mumbai, 21 Agosto 2004) citando as obras de um outro economista japonês sobre dois caminhos de industrialização. Apresenta o modelo asiático de industrialização (contrapõe as expressões Western industralisation e Asian industriousness ). Enquanto as limitações históricas da Europa tornaram necessária uma industrialização intensiva em capital (face aos seus limitados recursos humanos), na Ásia foram bem aproveitados os recursos humanos em abundância para atingir os mesmos objectivos sem tecnologia de capital intensivo! É uma diferença que o Ocidente só soube ver e aproveitar na fase mais recente de globalização através de transferência da sua produção industrial e serviços (outsourcing) para as regiões da Ásia com a mão-de-obra abundante, qualificada e barata! Mesmo assim defronta-se com problemas em harmonizar e reconciliar a realidade com as teorias de direitos que criou!

Sou de opinião que o Ocidente jamais será capaz de acompanhar o ritmo de desenvolvimento da China ou da Índia nos próximos tempos! É o problema de modelos.  O Ocidente dificilmente poderá libertar-se das estruturas económicas, politicas e sociais, incluindo a arrogância, que  moldaram o seu comportamento. É um modelo falhado como já demonstram os analistas da actual crise financeira, mas o orgulho não vai permitir a aceitação desta verdade!

O que se pode dizer de Portugal, que se orgulha de ter sido  pioneiro dos Descobrimentos e da globalização moderna? Nunca saiu de onde começou! Nunca viu uma revolução industrial, nem chegou a fazer uma transição convincente de economia comercial para as outras fases do capitalismo. Felix culpa! Assim não tem que enfrentar a crise que o mundo desenvolvido agora vive. A sua economia comercial primitiva não tem recursos para gestão de riscos. Sem riscos não há crises! Vasco Pulido Valente, na sua coluna de Opinião no jornal Público de hoje diz-nos algo igual: “Enquanto os deixarem viver na sua miséria habitual, os portugueses respiram”.

In a whole series of journal articles and contributions to books, especially Sugihara (2003 whose bibliography lists a dozen others of his), he argues that there have been two roads to industrialisation. One is the well known western capital and resource intensive „industrial‟ one. The other is the less studied and hardly appreciated Asian “industrious revolution path (of) labour absorbing institutions and labour-intensive technology”. These were used already in agriculture where land and capital were scarce and labour plentiful, so that what mattered most was to maximise the productivity of land, or yields, rather than of labour. That was also Asia‟s answer, Sugihara argues, to its Malthusian problem – by maximising the number of people that the scarce supply of land was able to support. The same essential reliance on labour-intensive and scarce resource-saving technology was adopted for manufacturing industry. One-way of doing so was – and since 1980 in the township enterprises of China again – to spread manufacturing out through rural areas, instead of immediately concentrating it in large expensive western and later Soviet urban conglomerations. That is why even in the 19th and much of the 20th century, Chinese manufacturing continued to dominate the domestic market against centuries of European and American unsuccessful attempts to penetrate let alone to capture it – and now China is itself invading the world market. Moreover, revisionist history is now showing that the Indian market for manufactures also remained in domestic hands (literally so!) far more than a century of historians have led us to believe. And that is also how Japan – and then Korea – launched its own industrialisation with labour using an intensive „industrious‟ technology.                         

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