Visita ao Convento de Mafra

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No dia 22 de Novembro de 2008, efectuou-se uma visita de estudo ao Palácio Nacional de Mafra, presenciada pelos alunos do 1º e 3º Anos do curso de História e 1º Ano do curso de Turismo da Universidade Lusófona de Lisboa. Os alunos foram acompanhados pelo Professor Doutor Teotónio de Souza, director do curso de História, Professora Doutora Adelina Amorim, Professora Doutora Gisélia Felício, Professor Doutor Victor Serrão, Historiador de Arte e Professor na Universidade de Letras de Lisboa, e pelo Professor Doutor Fernando Cristóvão, Director da ACLUS.

O Convento é um dos mais belos e ricos monumentos Reais de Portugal. Foi mandado erguer pelo rei D. João V na antiquíssima povoação de Mafra, conquistada aos mouros em 1146, por D. Afonso Henriques, tendo-lhe sido atribuído o foral de Vila em 1513, concedido pelo rei D. Manuel I.

Segundo reza a lenda, a construção do Convento de Mafra surgiu do cumprimento duma promessa feita pelo Monarca, a conselho de alguns Franciscanos que ali se encontravam.

 

Submissão e fé

 

Sem descendência que assegurasse a sucessão…

Sua Alteza desesperava!… Já tardava o herdeiro que desejava.

D. Maria Ana Josefa, sua estimada esposa, a maternidade ansiava.

Na pequena, hoje histórica Vila de Mafra, pronunciou-se D. João;

Entre o céu e o mar, expôs as suas mágoas, apelando à solução.

Frei António de S. José logo entendeu e, pelo Rei, intercedeu.

Assim, em escassos anos, chega sangue novo à Monarquia;

A rogo dos Franciscanos, um convento surgiria.

D. Bárbara foi a princesa que a História conheceu

e, tal como o Monarca prometeu, o convento se ergueu.

Com ostentação e glória, Portugal foi construindo a sua História.

O Convento de Mafra, que muito deve ao Rei D. João quinto

guarda, em todo o seu esplendor, o mistério e o requinte

duma obra de valor, símbolo de fé e vida em cada memória.

E, para que o momento se registe, o convento existe pela vitória.

 

 

 

Sobre o Convento

 

O lançamento da primeira pedra para a construção do Convento ocorreu em 17 de Novembro de 1717, num grande ambiente de festa real e religiosa.

A abundância de ouro vindo do Brasil, levou a que D. João V e o seu arquitecto João Frederico Ludovice traçassem ambiciosos planos, dando origem à concretização do fabuloso monumento que hoje conhecemos.

O projecto inicial apenas contemplava o abrigo de 13 frades Franciscanos, tendo sido depois alargado a pontos de conseguir albergar 330 desses frades.

O conjunto arquitectónico do Convento de Mafra é um expoente de arte Barroco Romano, ocupa uma área total de 40 000 m2 e foi, durante muitos séculos, considerada a maior construção do país.

A planta rectangular inclui o palácio, a igreja com vários pátios e torres, o refeitório, as enfermarias, a sala do capítulo e várias outras dependências dedicadas às visitas esporádicas da família real ao Convento.

Em todo o monumento predomina a arte e a opulência dos mármores nela utilizados, provenientes da região de Pêro Pinheiro e Sintra. A ostentação de riqueza estende-se a todos os outros materiais aplicados na construção da obra, resultado do período fausto que Portugal vivia nessa época. As grandes Torres culminam o ornamento da fachada do Monumento, existindo em cada uma cinquenta e sete sinos de diferentes dimensões. Os carrilhões de Mafra são dos mais antigos da Europa e foram mandados construir por D. João V, no ano 1730, em Antuérpia, na Bélgica e que, por ter achado o preço barato, mandou construir dois.

Também destinada ao Convento Real, D. João V encomendou uma colecção de pintura religiosa das mais distintas do século XVIII, entre as quais se contavam obras dos pintores italianos Masucci, Giaquinto, Trevisani ou Battoni e de alguns portugueses como Vieira Lusitano e Inácio de Oliveira Bernardes.

Quanto à estatuária da Basílica foi também encomendada a grandes mestres italianos, nomeadamente, Lironi, Monaldi, Bracci, e outros, sendo considerada a mais significativa colecção de escultura barroca existente em Portugal.

É no Convento de Mafra que se encontra uma das mais importantes bibliotecas portuguesas com cerca de 40.000 obras. Muitos destes volumes foram encadernados pelos Regrantes de Santo Agostinho que ali permaneceram cerca de vinte anos, chegando a solicitar ao arquitecto Manuel Caetano de Sousa a conclusão da obra da biblioteca.

Durante o reinado de D. José I foi criada a Escola de Escultura de Mafra, dirigida pelo mestre italiano Alessandro Giusti, com o intuito de solucionar a ausência do ensino desta arte no Reino. Com ele trabalhou Machado de Castro, admitido como ajudante desde 1756.

Nunca tendo servido de residência permanente, o Palácio de Mafra era  visitado com alguma frequência, a fim de organizar caçadas, na Tapada, às variadas espécies ali existentes tais como javalis, gamos, veados, perdizes e faisões.

Ainda assim, o rei D. João VI permaneceu no Palácio durante algum tempo, antes da partida da Corte para Brasil em consequência das Invasões Francesas. Com a Monarquia seguiu a maior parte das colecções artísticas ali existentes, tendo o Palácio sido ocupado pelas tropas de Junot em 1807 e, um ano mais tarde, pelo exército inglês que lá permaneceu até 1828.

Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, os Franciscanos abandonam definitivamente as instalações do antigo Paço Real, passando este a designar-se Palácio Nacional de Mafra.

Desde 1841, o Convento é habitado pelos militares que muito têm contribuído para a sua conservação, não só dos espaços ocupados como de todo o monumento em geral. Salienta-se o magnífico trabalho efectuado pelos militares durante as visitas guiadas no que diz respeito à descrição da construção e utilização do Convento e que, de alguma forma, nos permite imaginar o percurso histórico do Convento.

 

 

Nazaré Cunha (2008-11-23)

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