O Paquistão sob pressão

A crescente evidência aponta para a ligação entre o ataque terrorista de Mumbai com um grupo militante islamista de Paquistão. Torna-se assim um desafio para aquele país e seu governo. Serão capazes ou estarão interessados em controlar os militantes?

 gunman190

 

Mohammad Ajmal Kasab, o terrorista sobrevivente, que atacou o terminal CST dos comboios em 26 de Novembro. É de Faridkot, no Panjab paquistanês.

O Presidente Asif Ali Zardari afirmou que o seu governo não tem qualquer evidência do envolvimento do Paquistão nos ataques. Mas a secretária do Estado  Condoleezza Rice chegou ao Islamabade hoje e está a aumentar a pressão sobre Paquistão para confrontar o grupo militante Lashkar-e-Taiba, que os Indianos e os Americanos consideram responsáveis pelos ataques a Mumbai. Este grupo tem uma longa história de ligações com os serviços secretos paquistaneses.

Segundo uma fonte anónima do Departamento da Defesa em Washington os analistas americanos desconfiam que os antigos oficiais dos serviços sercretos e forças armadas paquistaneses ajudaram no planeamento dos ataques a Mumbai.  

A polícia Indiana declarou que o terrorista sobrevivente, Muhammad Ajmal Kasab, 21, confessou aos interrogadores que ele foi treinado durante um ano e meio nos campos de treino em Paquistão, e que se encontrou uma vez com Mohammad Hafeez Saeed, o chefe de Lashkar-e-Taiba.

Um outro oficial do Ocidente e envolvido na investigação em Mumbai aponta para um outro líder Lashkar, Yusuf Muzammil, como o planeador principal do ataque, e atendia às chamadas telefónicas dos atacantes a partir de Lahore, no Paquistão.

Actualmente,  Lashkar-e-Taiba (“exército dos puros”) opera abertamente em Lahore. Utiliza campos de treino em Kashmir sob a ocupação paquistanesa e nas zonas tribais do Paquistão, e em tempos recentes já não se limita às campanhas no Kashmir. Participa no jihad global.  

O grupo dá cara através de Jamaat-ud-Dawa, que gere escolas islâmicas e obras de caridade a partir de um campus acerca de 15 milhas ao norte de Lahore, em Muridke. Segundo as fontes de inteligência do Ocidente, Lashkar foi criado em 1989 com a assistência da agência paquistanesa de serviços secretos. Apesar de não haver informação confirmada, os críticos do Paquistão mantêm que o ISI continua a proteger Lashkar, como uma força intermediária para continuar a luta contra a Índia no Kashmir, e actualmente também em Bangladesh, Afeganistão, zonas tribais do Paquistão. Alguns combatentes de Lashkar já apareceram no Iraque. Não se sabe ao certo se Lashkar tem contactos com  Al Qaeda.

Kasab, o terrorista capturado confessou que recebeu treino de armas, navegação marítima e técnicas de sobrevivência. Foram-lhe mostrados durante o treino os mapas de Google Earth e outras imagens dos sítios a atacar. Disse ter ouvido um discurso muito emotivo do Sr. Saeed, líder Lashkar sobre os problemas dos Palestinianos e das populações do Iraque e do Kashmir. Um aparelho GPS encontrado no barco utilizado pelos terroristas para desembarcar em Mumbai indicava que eles saíram do Karachi em 23 de Novembro. Kasab tinha recebido uma arma  AK-47, uma pistola, algumas granadas de mão e 5,400 rupias, aproximadamente $110.

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