O sociólogo António Barreto chama a nossa atenção na sua coluna regular dos Domingos no jornal Publico de 21 de Junho de 2009 para o esvaziamento científico nos processos de decisão nas democracias. O pior é quando se utilizam instrumentos caros e sofisticados de consultoria e avaliação para conseguir este esvaziamento. Podia-se estender esta análise do sociólogo à aquilo que acontece nas Universidades em nome de avaliações pedagógicas para “proteger” os alunos (principalmente os “maiores de 23” em regime pós-laboral) com poucas possibilidades de satisfazer as exigências do ensino superior. Serão protegidos ou prejudicados a médio e longo prazos? Ou temos Bolonha para tapar todas as nudezas?
Neste processo são os docentes que se veem obrigados a ganhar novas competências de facilitar o ensino aos discentes a quem se confere o poder de avaliação como arma de arremesso em vez de ser para eles um instrumento de uma auto-avaliação honesta de aprendizagem! Estamos numa situação correspondente àquela que Antonio Barreto denuncia na administração pública: Avaliação técnica pela população, em vez de ser pelos pares.
Teremos que rever se Max Weber pensava bem quando dizia que só existe aristocracia das inteligências, ou se na democracia vende-se inteligências a peso! Basta é a moeda ou o cheque equivalente. Torna-se uma questão de procura e oferta.
