Evocando o historiador-orientalista J.H. Cunha Rivara

A Biblioteca Pública de Évora iniciou um ano comemorativo dedicado a Cunha Rivara que foi um dos seus bibliotecários mais notáveis após a sua fundação pelo célebre Frei Manuel do Cenáculo em 1805. As invasões francesas  tinham saqueado e deixado a Biblioteca possuidora de um riquíssimo tesouro cultural num estado lastimoso.  Prof. Doutor Teotónio R. de Souza,  Professor catedrático da Universidade Lusófona e Director do Departamento de História, fez a Conferência da abertura das comemorações “Evocando o historiador-orientalista J.H. Cunha Rivara”.

Após uma primeira fase da sua vida dedicada a restauro e restauração da Biblioteca e alguma participação na vida política do país, a segunda etapa da sua vida passou-a em Goa como Secretário Geral do Governo do Estado da Índia e como Comissário de Estudos (1855-1877).  Foi um Alexandre Herculano da historiografia portuguesa no Oriente.  Os seus 10 volumes de documentação intitulados Archivo Portuguez-Oriental  são uma obra de referência incontornável para qualquer estudioso da presença portuguesa no Oriente.  E contribuiu com muito mais como historiador-orientalista através do Chronista de Tissuary,  Brados a favor das communidades das aldeias,  Instituto Vasco da Gama, A Conjuração de 1787, e muitos escritos dispersos na parte não-oficial do Boletim do Governo do Estado da Ìndia.

A sua carreira administrativa na Índia correspondeu ao período em que a coroa inglesa substituiu a Companhia das Índias Orientais em 1857-58, após a tragédia do Motim dos Cipaios, e Cunha Rivara colaborou com as autoridades britânicas na Índia para evitar que as perturbações políticas extravazassem para dentro das fronteiras da Índia Portuguesa.  Outra preocupação maior que o deixou ocupado foi a questão do Padroado português no Oriente.

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Há áreas que ficam por investigar, nomeadamente o relacionamento de Cunha Rivara com as elites naturais de Goa durante as duas longas décadas da sua estadia em Goa.  Existem indícios fortes de que sentia-se incomodado por alguns goeses com talento literário e suas denúncias do “despotismo” português.  J.C. Barreto Miranda,  autor de Quadros Históricos de Goa  e correspondente regular do jornal Ultramar (Goa), o primeiro jornal da imprensa privada de Goa, era um desses espicaçadores.

Não consta também que apesar da sua política de apoio ao ensino de Concani, a língua materna dos goeses, Cunha Rivara tenha aprendido mesmo que seja alguns rudimentos desta língua depois de quase 20 anos da sua estadia.  Difere assim dos orientalistas ingleses na Índia, muitos dos quais atingiram alto nivel de domínio das línguas indianas.  

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