É em Goa (na Índia) que se compreende bem Portugal e a sua história!

Paulo Varela Gomes, o historiador da Arte portuguesa na Índia e professor na Universidade de Coimbra,  acabou o seu segundo mandato em Goa como delegado da Fundação Oriente.  Cruzei-me com ele na Panjim Inn, uma belissima casa de férias no bairro de Fontaínhas, a poucos passos da casa onde funciona a Fundação Oriente e o Arquivo Histórico de Goa. Fiquei aí alojado durante duas semanas até ao dia 25 de Agosto. No dia seguinte PVG se despediu de Goa e escreve o seguinte: http://lishbuna.blogspot.com/2009/08/adeus-goa-p.html

PVG disse-me durante um curto encontro ao tomar o pequeno almoço com o Director de Max Mueller Bhavan de Kolkata (Centro Cultural da Alemanha na India) que a presença da Fundação Oriente ficaria reduzida na Índia. Disse-me que ele não seria substituído por outro delegado residente e que uma das ex-embaixadoras da Índia em Portugal  ficaria  encarregue das tarefas essenciais. A razão citada (não sei se corresponde à realidade) era “complicações” em Portugal! Fico espantado com o que escreve no Público de hoje.

“Ah sim, são tão ridículos aí, vocês e o vosso futebol, a vossa política de anedota que mete pena a toda a gente, o vosso falhanço quotidiano, a vossa incapacidade de ser alguma coisa que não simpáticos, o desprezo condescendente com que olham para vós, tão pequeninos e tão tristes nesse ridículo rectângulo de economia falida, sociedade amarga, cultura de empréstimo, entregue a esse ridículo destino de pertencer a essa União de falhados. Eu, enquanto aqui [Goa] estive, senti-me distante desse pântano em que Portugal só existe para campeonatos de futebol. Eu, aqui, fui português. Não fui, como vós aí, a lembrança apagada de um passado que não merecem, de uma história que não reconhecem, de um presente que aceitam como carneiros. Eu, aqui, estive com gente que me recorda que podíamos ser outra coisa, que eu (e vocês) podíamos ser outra coisa, que Portugal podia ser alguma coisa em vez do último da União, essa porcaria em que vocês vivem e me envergonha. Sei que é assim porque de cada vez que um jovem português vem a Goa e aqui presta atenção diz-me que nós, os mais velhos, lhe roubámos a história e lhe legámos um país ridículo e não o país para que os de cá olham, o país que foi. (…)” (Paulo Varela Gomes no “Público” de hoje)

Estou mais de 100% de acordo com o que diz.  Achei PVG ser muito sincero, sincero  a ponto de ser um servidor servil dos patrões e de elites políticas portuguesas que condena! Soube que queria continuar como delegado da FO. Porque será?

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