Vítor Serrão defende preservação do património artístico em Goa

“Uma das prioridades da política da cultura deve ser descobrir, inventariar, estudar e defender este património espalhado pelo mundo”, defendeu o catedrático, Prof. Doutor Vítor Serrão, abordando em particular o caso da arte luso-indiana no espaço do antigo império português. 

Entre Janeiro e Fevereiro de 2008, num projecto patrocinado pela Fundação Oriente, Vítor Serrão esteve pela primeira vez a pesquisar o arquivo histórico de Pangim (capital de Goa), e também estudou um conjunto de pinturas murais a fresco “extraordinário” no Convento de Santa Mónica.

“Em Portugal não fazemos ideia da quantidade e qualidade dos fundos documentais que remanesceu depois do fim do antigo império português”, avaliou, acrescentando que, “apesar de, com o tempo, muito ter desaparecido, não ficou apenas a língua, que também é importante, mas não é tudo”.

O património arquitectónico, artístico e documental “é enorme”, sublinhou o catedrático, reconhecendo que, ao desenvolver as suas pesquisas na região, no capítulo da arte – sobretudo o período Maneirista – viu ultrapassada a sua expectativa de investigador, baseada no que tinha visto referenciado em livros e trabalhos publicados.

Adiantou que em Goa e Damão “há uma grande riqueza” na área da escultura, arquitectura, pintura, e talha, enquanto que nos arquivos que pesquisou, em Pangim, conseguiu identificar encomendas a artistas portugueses – como os pintores Aleixo Godinho e João Peres – que trabalharam na região entre 1580 e o limiar do período Barroco.

O Mosteiro de Santa Mónica, em Goa, “foi um dos maiores conventos femininos do império português e ficou bem preservado porque foi ocupado por um instituto de Teologia, que continua activo, e permitiu preservar um conjunto de pinturas murais a fresco extraordinário”, referiu.

Um pensamento sobre “Vítor Serrão defende preservação do património artístico em Goa

  1. O artigo de 15 de Março intitulado “Vítor Serrão defende preservação do património artístico em Goa”, chamou-me a atenção por duas razões.
    A mais óbvia, porque o tema se relaciona directamente com as minhas actividades profissionais, num departamento que durante mais de cinquenta anos promoveu a difusão da cultura portuguesa no estrangeiro, nos seus múltiplos aspectos, incluindo a preservação do património documental, artístico e arquitectónico de origem portuguesa no mundo.
    A outra razão prende-se com o alerta do Prof. Vítor Serrão para a necessidade de “inventariar” esse património existente fora das nossas fronteiras. Devo então aqui mencionar um projecto ambicioso encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian ao Prof. José Mattoso para realizar uma sistematização do património histórico de origem portuguesa no mundo – arquitectura e urbanismo. Nela incluindo os países africanos de língua oficial portuguesa e Timor-Leste.
    O Prof. José Mattoso formou, assim, uma equipa de especialistas, e durante vinte e quatro meses dirigiu os trabalhos de vários coordenadores e de dezenas de colaboradores convidados a participar na iniciativa.
    O resultado dessa tarefa monumental será a publicação de mais de 2.000 páginas de texto e imagens, distribuídas por três volumes organizados geograficamente – América do Sul, África e Ásia.
    No próximo mês de Maio, nas instalações da Fundação Gulbenkian, terá lugar o primeiro lançamento. Estamos confiantes que os dois restantes volumes fiquem concluídos rapidamente e sejam publicados até final de 2010.
    Outra particularidade diz respeito à edição de uma versão integral em inglês, cuja publicação também em breve se iniciará. Esta versão proporcionará, naturalmente, uma divulgação mais alargada.
    Uma parte significativa desse imenso trabalho que é a inventariação do património espalhado pelo mundo ficará feita. E a Fundação Gulbenkian, também deste modo, cumprirá o papel pioneiro na área da preservação que assumiu em 1958, no Quénia, quando da primeira intervenção na reabilitação de um monumento construído pelos portugueses fora de Portugal.
    Deseja-se que esta obra venha a ser uma ferramenta útil no desenvolvimento de acções concretas de estudo, preservação e reabilitação do património arquitectónico e urbanístico de origem portuguesa espalhado pelo mundo.

    Maria Fernanda Matias

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