Folhas de História

Maio 9, 2008

Motivos pelos quais me vou

Arquivado como: Culturas Lusófonas, Lusofonia — shivshakti @ 4:53 pm
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O Barman do Hotel Jangadeiro, onde por vezes tomo café expresso, deveria aranhar o inglês, pelo menos. Na realidade, este fruto da sociedade pernambucana, mal fala o português.

-O senhor sabe o que é civismo?-perguntei-lhe.
Desviou os olhos dos meus, concentrando-se no infinito, como que disfarçando a possibilidade de eventualmente poder saber do que se tratava, só estando a preparar-se para responder. Como eu esperei pela resposta, coisa de que não estaria à espera, confessou, passados uns segundos:
-Sei não senhor…
Tentei explicar-lhe, de modo a que ele percebesse, tal como faço quando falo com outro pernambucano de menor condição ou com uma criança.
Ele, após o douto discurso, concordou:
-É, eu sou pernambucano, mas concordo com o senhor.
-Eu vivo também num país atrasado, respondi-lhe, mas somos muito diferentes, sabe? Não tenho paciência para isto.
Na verdade, tornei-me arrogante com esta gente, talvez por algum complexo de superioridade que possa, de modo despercebido, ter invadido o meu ser. Racismo? Pode ser, mas não o da cor da pele, apriorístico e injusto. Talvez aquele racismo que senti quando um cidadão holandês me tratou com arrogância, quando eu lhe disse que era português, nos idos de 90, num parque de campismo em Casablanca.

“Uma andorinha não faz a primavera, nem duas nem três, mas às quatro já as amendoeiras começam a ficar em flor…”

Pernambuco está cheio de machismo, de má educação, de rudeza, incivilidade, e são estes o principais factores que me perturbam, que me fazem correr daqui, que não admitem sequer que eu admita que os meus filhos possam ser criados aqui.
Do mesmo modo, um cidadão estrangeiro a viver em Portugal pode ter estes sentimentos de falta de tolerância, de animosidade para com o português, por inadaptação, por diferenças culturais gritantes. Gritantes não é exagero.
Como, felizmente, não vim para aqui sem bilhete de regresso, posso escolher, tenho a sorte de poder escolher regressar ao meu país, mesmo que seja um país “triste”, como me dizia alguém outro dia, poeticamente, “envolto em nuvens que teimam em não desaparecer”.
“Não há paciência para isto” é a frase de ordem, que preside ao meu regresso e que me faz ser, doravante, um crítico do Brasil.
É uma palhaçada”, é a outra frase. Pernambuco é uma palhaçada. Não lhe devo nada, absolutamente nada. Ele é que me deve a mim, verdadeiro pregador do civismo. Acabei por deixar aqui algum dinheiro português. Pernabuco deve-me. O Brasil deve-me. A ele não devo nada. Todos os que comigo conviveram nada têm a dizer de mim. Eu deles muito, e mal, salvo as costumeiras excepções, claro.
Fui roubado, enganado, ludibriado, fintado, pintaram miséria comigo. Vi irmãos roubarem irmãos, vi desencontros fraticidas, punhaladas nas costas, instituições a enganarem os seus clientes, o Estado a fazer os contribuintes de lorpas, desonestidades sem fim.
Poderia até pensar em ser indemnizado por danos patrimoniais e morais, sobretudo por estes últimos, mas como sou um candidato a cientista social levo em conta que também vai daqui comigo algum património cultural…,aquele, o tal, da educação e do civismo.
Pernambuco tem-me à perna. O Brasil tem-me à perna.
Treme João Paulo!
Treme Luis Inácio!
Treme Ronaldo! (esta foi pra rir)

Pedro Araújo

Atlas digital da India meridional

O Instituto Francês de Pondicherry e a Universidade Tamil, em Thanjavur, iniciaram um projecto conjunto há dois anos para explorar a possibilidade de produzir um Atlas digital da India meridional. Estará acessível na internet com uma combinação de mapas, fotos, ilustrações, textos e informação GIS (Geographical Information System), uma facilidade ausente nos melhores trabalhos produzidos até à data. Este projecto tem como público alvo qualquer pessoa interessada no rico património histórico-cultural da Índia meridional, mas poderá ser um grande estimulo para uma maior colaboração entre os historiadores e os arqueológos, providenciando instrumentos de tecnologia dinâmica, que ajudará a relacionar as actividades económicas das sociedades pre-históricas e históricas da região, incluindo as movimentações demográficas, modos de utilização da terra e seus recursos naturais, e muito mais.

É um projecto apoiado pela Fundação Ford. Poderia servir de inspiração para projectos de colaboração luso-indiana em que as fundações portuguesas pudessem alargar a sua visão e os seus apoios para conservação e estudo do património regional que não se limitasse ao passado português. É uma consideração muito relevante no dia em que a Fundação Oriente vai abrir portas do seu projecto «Museu do Oriente» em Lisboa. É um projecto muito louvável, mas um projecto desta natureza e dimensão ficaria melhor localizado no seu habitat natural e confiado às agências oficiais e privadas das regiões interessadas. Os “Deuses da Ásia” não poderão estar muito à vontade fora do seu ambiente natural, ao contrário dos “deuses e santos” europeus que gostam de ser exportados para serem adorados / venerados por outros lá fora! Será que o Ocidente precisa de reviver as suas glórias do passado colonial, e o Oriente torna-se mais “divertido” e menos ameaçador enquanto mascarado e museificado ?

Maio 8, 2008

Quer aprender o *inglês sem lágrimas* ? Visite *The BS Report*

Arquivado como: Europa, Formação — gloriainacselsis @ 10:33 am
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Ainda lhe ajuda a ler o DESTAK em inglês, enquanto os estrangeiros poderão acompanhar o quotidiano português!

The BS Report

clique na figura

 

Uma brevíssima história de Portugal - 7 minutos e meio

Arquivado como: Formação, Portugal — gloriainacselsis @ 7:57 am
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Para quem não tenha tempo para mais, pode acompanhar a história da nação mais velha da Europa em pouco mais de 7 minutos, clicando aqui.

Maio 7, 2008

AGNI-III: A Índia pode já atingir alvos muito dentro da China

Arquivado como: Índia — gloriainacselsis @ 9:37 pm
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A Índia testou com sucesso pela segunda vez na última quarta-feira o seu míssil Agni-III com capacidade de atingir alvos até 3,000 qms de terra a terra e com carga nuclear. Isto vai-lhe permitir atingir alvos muito no interior da China, incluindo Beijing e Shanghai.

Alimentado com fuel sólido, o míssil foi lançado da ilha Wheelers na costa de Orissa na Índia oriental às 09:56 hrs e atingiu a sua velocidade máxima e o alvo pré-determinado com precisão dentro de  800 segundos.  Atingiu uma altitude de 350 qms e uma velocidade de 4000 mt por segundo, disse Avinash Chander, o director do projecto Agni, em Balasore. O míssil foi declarado tecnicamente pronto pela DRDO, a instituição responsável pelos projectos de investigação e inovação na área de defesa nacional, para ser disponibilizado às forças armadas do país. Mas DRDO poderá ainda optar por mais um teste antes de permitir a produção industrial do novo míssil.

Era quase uma prenda de bodas de ouro que DRDO oferecia à nação para comemorar os seus 50 anos de existência. Está assim aberto o caminho para a nova fase de Agni-IV que será uma versão intercontinental com um alcance de  5000 qms. Está em desenvolvimento uma míni-versão submarina de Agni-III que poderá ser testada muito em breve. Agni-III tem capacidade de lançar projécteis termo-nucleares ligeiros de 200 KT.

Pela primeira vez os instrumentos de navegação electrónica do míssil eram todos de fabrico indiano.  O projecto conjunto indo-russo GLONASS que estará na órbita em 2010 permitirá aos mísseis indianos adquirir uma maior precisão.

Dois barcos de guerra indianos estavam posicionados junto ao alvo pré-determinado ao sul do Equador e confirmaram o impacto do míssil.

 

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